Você sabe o que são animes Iyashikei?

Por Phos em terça-feira, 6 de agosto de 2024

 Existe um gênero de obras (animes, mangás, jogos, etc.) conhecido como slice of life, que mostra histórias realistas e focadas no dia a dia de pessoas comuns. Por ter um enredo cotidiano, na maioria das vezes não há grandes desafios, nem conflitos e os personagens não precisam necessariamente evoluir muito de um arco para o outro.


Dentro do slice of life há um subgênero chamado iyashikei, que vai além de apenas mostrar realidades cotidianas.

No japonês a palavra “iyashi” significa “cura”, e o iyashikei vem com a ideia de ser uma “obra que cura”. Entre as características desse estilo há:

  • busca por causar no público sentimentos como calma, tranquilidade e nostalgia;
  • os cenários são muito importantes para criar uma atmosfera aconchegante;
  • há uma grande valorização das pequenas coisas e pequenos momentos da vida;
  • muitas cenas comoventes;

E, é claro, as demais características do slice of life são bastante valorizadas. Portanto, animes iyashikei utilizam situações simples e cenários aconchegantes para gerar sentimentos de paz e tranquilidade no público, servindo como uma maneira de escapar da realidade por alguns momentos.

Alguns exemplos de animes nesse estilo são:

Yuru Camp, que segue a maioria dessas características ao abordar simplesmente as preparações e desafios de amigas que vão acampar. Os desafios estão em uma linha tênue entre serem bons o suficiente para gerarem uma história, mas não difíceis demais para gerar apreensão.

Flying Witch tem elementos mágicos, mas segue no mesmo clima de tranquilidade ao mostrar o dia a dia de uma aprendiz de bruxa.


O subgênero ficou popular nos anos 90 depois que o Japão passou por uma sequência de desastres e o público passou a demandar um pouco mais de escapismo, já que a dureza da realidade estava trazendo muitos sentimentos ruins.

E mais recentemente essa popularidade cresceu bastante, impulsionada pelos eventos globais que afetaram muito o psicológico das pessoas, como a pandemia de covid-19. Em um mundo repleto de excesso de informações pra todo lado, sentar e assistir um anime simples tornou-se relaxante. Daí a ideia de “cura” que o nome sugere. (Lembrando que assistir animes não substitui uma terapia se estivermos falando de questões psicológicas mais sérias!) 


Além dos já citados Yuru Camp e Flying Witch, alguns outros exemplos de anime iyashikei para quem ficou interessado:

Barakamon: segue um calígrafo procurando seu próprio estilo original de escrita em um retiro paradisíaco.

Natsume Yuujinchou: um jovem descobre que pode ver espíritos porque eles estão presos graças a um livro que herdou de sua avó, então decide libertá-los.

Non Non Biyori: segue um grupo de garotas em uma escola diferente de tudo que elas conheciam no interior do Japão.


Girl's Last Tour:
segue o dia a dia de duas jovens vivendo em um mundo pós-apocalíptico coberto de neve.


Existe ainda um estilo dentro do subgênero, que são os iyashikei envolvendo bichinhos, o que faz muito mais efeito para algumas pessoas. Exemplos:

My Roommate is a Cat: mostra o dia a dia de um escritor que tem dificuldades em socializar e seu colega de quarto, um gato abandonado, enquanto eles tentam ser felizes juntos.


Hakumei and Mikochi:
segue personagens de um mundo em miniatura convivendo com animais falantes na floresta.

Ela e o seu gato: uma garota e um gato aprendem coisas novas e conhecem novidades do mundo através da sua amizade.

Shirokuma Cafe: segue o cotidiano de um urso polar que abriu uma cafeteria perto do zoológico, lugar que agora é frequentado por vários bichos.

Meu amigo Totoro: duas irmãs se mudam para uma casa no campo e descobrem várias criaturas mágicas vivendo na floresta.


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Até a próxima postagem!

Mangakás que foram assistentes de autores famosos - Parte 1

Por Phos em sábado, 6 de abril de 2024

Esse post é uma versão para o blog de conteúdo que eu fiz lá na página @universoanimanga, acompanhem lá porque há muitos posts novos que eu não costumo trazer para cá!

Hoje vamos acompanhar mangakás que fazem bastante sucesso e que começaram como assistentes de outros autores bem famosos!


Akihisa Ikeda

Akihisa Ikeda trabalhou como assistente de Norihiro Yagi na época de Angel Densetsu, mas o deixou antes do maior sucesso de Yagi, Claymore, porque iria estrear seu primeiro mangá como autor principal. Dois anos depois Ikeda lançaria seu maior trabalho, Rosario + Vampire.

Shotaro Ishinomori

O rei dos mangás Shotaro Ishinomori só poderia ter sido aprendiz e assistente de ninguém menos que o deus dos mangás, Osamu Tezuka. Pra quem não conhece, Ishinomori é o criador de dezenas de mangás que influenciaram várias gerações, como Kamen Raider.

Tatsuya Endo

Tatsuya Endo trabalhou como assistente de dois grandes mangakás modernos: Kazue Kato em Ao no Exorcist e Tatsuki Fujimoto em Fire Punch. Atualmente ele trabalha na sua criação de maior sucesso tanto em mangá como anime: Spy x Family.

Go Nagai

E Ishinomori passou adiante seus aprendizados tomando como assistente e discípulo o jovem Go Nagai, que seguiu o caminho de seus antecessores criando dezenas de mangás que influenciaram e popularizaram muitos gêneros, dos mechas ao ecchi, sendo o mais famoso Devilman.

Mikio Ikemoto

Mikio Ikemoto foi assistente de Masashi Kishimoto, o autor de Naruto, de 1999 até 2014. Foi confiado a ele ilustrar a sequência de Naruto, Boruto, enquanto o roteiro ficou a cargo de Ukyo Kodachi, que não era assistente de Kishimoto, mas o tinha ajudado a escrever o primeiro filme do Boruto.

Takehiko Inoue

Takehiko Inoue trabalhou nos anos 80 como assistente de Tsukasa Hojo no mangá City Hunter (que talvez você conheça mais pelos filmes live-action). Depois, Inoue iria revolucionar os mangás de esporte com Slam Dunk e ainda criaria outra obra-prima: Vagabond.




Essa é uma parte 1, em breve lanço a parte 2 com mais nomes!

Atualização: a parte 2 já saiu, basta clicar aqui para ler.


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Até a próxima postagem!

Mangakás que fizeram sucesso com MAIS DE UM mangá!

Por Phos em terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

 Esse post foi ideia de um leitor que comentou no texto que escrevi sobre "por que muitos mangakás escondem sua identidade?".

Às vezes ficamos com a impressão de que os mangakás são pessoas de uma única obra, isto é, o autor só vai publicar um único mangá de sucesso durante toda a sua vida. Ele pode até ter criado vários mangás antes ou depois da obra principal, porém nenhuma chega ao mesmo nível de sucesso.

Seria muito difícil fazer uma pesquisa sobre isso e ter os números exatos, até porque é difícil definir o que é exatamente o sucesso de um mangá (no Japão e no mundo). Mas a impressão é que esse caso é o que acontece na maioria das vezes mesmo. Masashi Kishimoto primeiro lançou o mangá Karakuri, que lhe deu reconhecimento, depois publicou seu maior sucesso, Naruto, e o seu mangá seguinte (Samurai 8) se saiu tão mal que foi até cancelado. Tite Kubo publicou um mangá e alguns one shots antes de seu maior sucesso, Bleach, e nunca mais lançou algo novo (além de materiais e histórias dentro do mesmo universo de Bleach). Eiichiro Oda fez sucesso com alguns one shots antes de explodir com One Piece, que ainda está em andamento, mas pelas condições de saúde do autor tudo indica que será sua última obra antes de uma aposentadoria. Se os três maiores autores da sua geração passaram por isso, fica mesmo parecendo que há uma regra aqui.

Mas o objetivo desse post é mostrar exemplos de autores que fugiram desse estigma. Consegui reunir nove mangakás usando um critério pessoal para "obra de sucesso": serão aquelas obras que foram aclamadas de alguma forma, são influentes e/ou revolucionárias, que tiveram grande projeção no mundo todo ou pelo menos em quantidade exorbitante no Japão, renderam adaptações bem-sucedidas em outras mídias e, é claro, bons números de vendas.

Tsukasa Hojo

O primeiro mangá de Tsukasa Hojo, Cat's Eye, já pode ser considerado um grande sucesso pelas vendas impressionantes na década de 80. Em seguida ele lançou City Hunter, que foi um sucesso absoluto e rendeu ainda um spin off igualmente bem sucedido chamado Angel Heart. Três acertos é impressionante!


Rumiko Takahashi

Rumiko Takahashi possui um currículo com dez trabalhos, sendo que seis dele já venderam na casa dos milhões de cópias. Suas obras combinadas somam mais de 200 milhões de cópias, o que a coloca entre os autores que mais venderam. Ao menos dois de seus mangás merecem destaque principalmente entre os saudosistas que cresceram nos anos 90 e começo dos anos 2000: Ranma 1/2 e InuYasha.


Takeshi Obata

As obras de maior sucesso de Obata foram feitas em conjunto com Tsugumi Ohba, mas como a identidade desse último é um mistério e seus únicos trabalhos são justamente os com Obata, não vou colocá-lo em destaque na lista (até porque ele pode ser apenas o pseudônimo de um conjunto de assistentes). Essas obras são o sucesso mundial Death Note e o fenômeno das premiações Bakuman.


Takehiko Inoue

Takehiko Inoue deu ao mundo dois clássicos absolutos. Slam Dunk foi o seu segundo mangá a ser publicado (de 1990 a 1996) e vendeu mais de 100 milhões de cópias, sendo eleito o mangá favorito do Japão em 2007. Ele ainda trabalhou em outros menos famosos e parecia que ia cair na regra geral, até que em 1998 ele começou a fazer Vagabond, com o qual iria ganhar muitos prêmios.


Naoki Urasawa

Um gênio do mistério como Naoki Urasawa nos presenteou com não uma, nem duas, mas três grandes obras: Monster, 20th Century Boys e Pluto, todas em sequência. E um detalhe: ele começou o segundo enquanto terminava o primeiro, e o terceiro enquanto terminava o segundo, ou seja, em nenhum momento pareceu que ele iria cair na regra.


Yoshihiro Togashi

Togashi criou dois mangás de muito sucesso com uma base de fãs bem forte. O primeiro foi Yu Yu Hakusho, que foi sua primeira série e durou 4 anos em publicação. Com a fama obtida ele já ganhou sinal verde para publicar novamente, só que o mangá seguinte não rendeu tanto. Foi no terceiro, Hunter x Hunter, que a coisa pegou de vez e consagrou Togashi como um dos maiores mangakás da história.


Junji Ito

Junji Ito é considerado um dos principais artistas do terror nos mangás. Ele possui muitos trabalhos que são compilados em volumes ou revistas, então daria para citar várias dessas pequenas histórias como exemplos de sucesso. Porém quero exaltar dois trabalhos de imenso sucesso: Uzumaki e Tomie, que venderam muito, receberam várias adaptações e são renomados até hoje.


Akira Toriyama

Akira Toriyama é um dos exemplos de mangakás com sucesso em múltiplas áreas. Ele é mundialmente conhecido por Dragon Ball e todos os seus derivados em animes, jogos e demais produtos para venda. E com esse sucesso ele puxou outro mangá seu, Dr. Slump, para o hall da fama.


Osamu Tezuka

E, por fim, não poderia deixar de mencionar o deus dos mangás. Os trabalhos que eu citar aqui podem não parecer famosos para muita gente hoje em dia, afinal estamos falando dos primórdios do mundo dos mangás, mas dentro dos critérios que coloquei eles são excelentes, com o adicional de que influenciaram todos os mangakás que vieram depois de alguma forma. Estou falando de mangás como Black Jack, que já foi considerado por revistas e festivais um dos melhores mangás de todos os tempos, junto com Phoenix e Dororo. Tezuka também fez sucesso com Kimba, o Leão Branco (que foi copiado pela Disney em O Rei Leão) e o que talvez é seu trabalho mais famoso e longevo, Astro Boy.




Eu provavelmente esqueci alguém e posso ter deixado propositalmente alguns de fora por não considerar todas as suas obras tão bem sucedidas assim (cof cof... Hiro Mashima com Edens Zero). Podem ficar à vontade para relembrar nos comentários!

É isso por enquanto.

Até a próxima postagem!

Por que muitos mangakás escondem sua identidade?

Por Phos em terça-feira, 23 de janeiro de 2024

 Essa é uma versão para o blog de um post feito na nossa página do Instagram. Confira lá para mais conteúdo: @universoanimanga!

Você já deve ter reparado que vários mangakás raramente fazem aparições públicas, com pouquíssimos ou nenhum registro em foto. Para se expressar eles usam avatares e quando precisam aparecer em pública usam máscaras.

Gege Akutami, autor (ou autora?) de Jujutsu Kaisen

Já se perguntou o motivo disso?

Adianto que a resposta não é única, afinal não tem como falar por todos os autores de mangá no Japão. Fiz uma boa pesquisa no tema e juntei nesse post os principais motivos que encontrei!

Motivo 1: Privacidade

Muito por questões culturais (que não vou entrar em detalhes) e também sociais, a privacidade é um assunto bastante sério no Japão.

Não é crime fotografar/filmar pessoas em público, porém  se você colocar essas imagens para exposição (um jornal ou vídeo no Youtube, por exemplo) a pessoa pode entrar com um processo pelo uso da sua imagem. Se você acompanha vlogs de moradores do Japão já deve ter visto como eles borram rostos dos transeuntes em vídeos nas ruas.

Fotógrafos e jornalistas que cobrem eventos com participação de mangakás, mesmo que em entrevistas, precisam perguntar se o autor quer ser registrado. A resposta geralmente é não, por querer manter a privacidade ou pelos demais motivos que veremos a seguir. Logo, é raro ter registro de mangakás até em eventos.

Motivo 2: Vida pessoal e trabalho

É perfeitamente compreensível que os autores queiram separar sua vida pessoal do trabalho.

Assim eles conseguem expressar suas ideias livremente sem serem julgados em outros meios. É bem comum, por exemplo, entre quem escreve mangás com conteúdo adulto. Isso também evita trazer problemas da figura pública para a vida pessoal, ou vice-versa.

Há quem opte por apenas usar um pseudônimo, mas há também quem crie personagens inteiramente fictícios. Até hoje existem discussões sobre a identidade de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata (autores de Death Note e Bakuman), com gente dizendo que são duas manifestações de um só autor.

Motivo 3: O status de mangaká

No Japão, os mangakás possuem um status de fama muito grande, comparado a músicos e artistas de TV e cinema. Isso atrai uma massa de fãs muito grande, e por consequência vêm muitos fanáticos junto. A privacidade seria um meio de evitar a importunação e perseguição.

Existem vários casos registrados de ameaças contra mangakás, um deles bem notório:

Em 2013, o mangaká Tadatoshi Fujimaki começou a receber várias cartas ordenando que ele parasse de escrever seu mangá Kuroko no Basket porque seria uma “cópia de Slam Dunk”. Chegou ao ponto de algumas cartas virem com pólvora e com líquidos que evaporavam em um gás veneno. Ninguém ficou ferido e Fujimaki continuou publicando.

Avatar de Tadatoshi Fujimaki

Motivo 4: Questões de gênero

Além de esconder a aparência, muitos mangakás escondem seu gênero para evitar o preconceito do público. Isso é bem comum com mulheres que escrevem shounen. Elas não só precisam adotar pseudônimos, como precisam ser pseudônimos masculinos. Obviamente acabam também evitando aparições públicas.

O problema é muito mais sério e se estende ainda mais porque autoras mulheres costumam receber muito mais julgamento baseado em outras características que vão além do trabalho (como aparência, peso, relacionamentos, etc.)

Koyoharu Gotoge (Kimetsu no Yaiba) mantinha até seu gênero em segredo e se expressava pelo avatar de um jacaré com óculos. Porém um funcionário da Weekly Shounen Jump revelou que ela era do gênero feminino.

Para evitar uma rejeição imediata da sua obra que seria publicada em uma revista que tem meninos como público-alvo, Hiromi Arakawa mudou seu nome para Hiromu (que é masculino). E ela escreveu um dos melhores shounens de todos os tempos: Fullmetal Alchemist.

Avatar de Hiromu Arakawa

Motivo 5: Oportunidades de trabalho

Muitos mangakás dedicam suas vidas inteiras a um único mangá de sucesso, entretanto há aqueles que até trocam o gênero onde trabalham. E para isso manter uma identidade secreta é bastante útil, afinal é possível criar uma para cada “personalidade artística”. Sem toda uma bagagem da obra antiga, o autor consegue oportunidades de trabalho mais amplas, livre de preconceitos.

Toshihiro Ono, que ilustrou algumas obras em mangá de Pokémon, também já desenhou hentai, só que usando um outro pseudônimo que aparentemente ninguém sabe qual é.


E, por fim, vale citar também que manter a identidade secreta não é uma regra, existem muitos mangakás que gostam de fazer aparições públicas e são muito ativos em redes sociais.

Além de ter várias fotos por aí, Hiro Mashima (Fairy Tail) é bem ativo na sua conta do Twitter/X, que tem quase 2 milhões de seguidores. Lá ele faz comentários sobre vários tópicos e posta seus desenhos.

E o que dizer de Junji Ito, que em 2023 veio ao Brasil e esteve na CCXP com um público na casa dos milhares!



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Até a próxima postagem!

5 animes que já tiveram cenas ou episódios censurados no Brasil

Por Phos em domingo, 28 de outubro de 2018
A última postagem nesse estilo fez bastante sucesso então acho que vou fazer uma série do tipo, talvez trazendo não apenas animes censurados como outras curiosidades!

Veja agora uma versão mais específica daquele post, dessa vez com animes censurados NO BRASIL!

Vamos começar com um que é tão clássico que todos devem conhecer: Dragon Ball. Os primeiros episódios tinham uma chuva de cenas inadequadas para menores. A confusão com as Dragon Balls eram as principais, como quando Goku apalpou a genitália de Bulma sobre a calcinha perguntando onde estavam suas "bolas" (lembre-se que até aquele momento Goku nem sabia da existência de garotas). Tem uma cena também onde Yamcha apalpa os seios de Bulma pensando serem as Dragon Balls. E a clássica, onde Bulma se compromete a mostrar sua calcinha para o Mestre Kame em troca de andar na nuvem voadora, ela só não sabia que Goku havia tirado sua calcinha um tempo antes, então ela acaba mostrando demais. Mas isso foi mais no começo mesmo, onde o anime tinha uma pegada bem diferente. Quando Dragon Ball Z chegou, os problemas da TV deixaram de ser nudez para ser violência explícita.

Cavaleiros do Zodíaco tem um filme chamado "Os Guerreiros do Armageddon". A série já havia passado por mitologias gregas, japonesas, nórdicas, mas nesse filme o foco foi no cristianismo (nada menos que a religião com mais adeptos no Brasil). Não deu outra, várias cenas do filme foram cortadas quando ele foi lançado em VHS em 1995. A mais famosa delas é uma onde uma Bíblia é jogada no fogo e queimada, logo na cena onde o vilão do filme, chamado Lúcifer, é apresentado.
Na exibição na TV já tivemos outros casos.
A Band foi a emissora que mais fez cortes, como no episódio "O Ataque à Fundação", onde Shun de Andrômeda aparece de costas, completamente nu, enquanto toma banho.
O mais curioso é que a Manchete e o Cartoon Network passaram essa cena sem cortes quando transmitiram. A Band também cortou partes da violenta luta entre Ikki de Fênix e Capella de Auriga, que mostrava os personagens sendo severamente mutilados. Eu me lembro de ver essa cena (provavelmente em outra emissora) e lembro de ficar espantado com os punhos arrancados de Capella, mas isso não teve efeitos negativos em mim e eu até achei a cena bem legal.
Outras cenas de Cavaleiros do Zodíaco já foram censuradas em outros países, mas esse é assunto pra outro post.

Samurai X foi um anime clássico na TV brasileira, mas talvez você não saiba que ele tinha mais censura que filme americano na China. 
Para poder ser transmitido no horário para crianças, Samurai X tinha que obedecer a classificação indicativa, por isso a Rede Globo fatiou o anime inteiro. Várias cenas consideradas violentas ou com conteúdo considerado impróprio, como pessoas bêbadas, foram removidos. Episódios inteiros deixaram de ser exibidos e alguns até foram misturados em um só, já que os cortes foram tantos que tornavam o episódio pequeno demais. Esses cortes deixaram de existir quando Samurai X foi exibido no Cartoon Network, que foi quando a maioria dos fãs percebeu que tinha algo diferente comparado ao exibido na Globo. O mesmo efeito de "ué, não lembrava dessa cena violenta" aconteceu de novo quando o anime chegou na Netflix, também sem censura.
A Wikipédia tem uma lista mais precisa do que foi censurado e ela seria grande demais pra ser colocado aqui, então se você quiser conferir vale dar uma olhada clicando aqui.

Rosario + Vampire tem um dos casos mais idiotas de censura que já vi. Primeiro que não é uma boa ideia exibir um anime cheio de ecchi (ainda mais depois da segunda temporada, onde se tornou mais presente que a própria história) na TV em horário para crianças. Então o jeito foi censurar tudo, só que fizeram isso de forma muito tosca: em cada momento que uma calcinha, peito, bunda ou qualquer outra coisa do tipo ia aparecer eles colocavam UM MORCEGO na frente. Seria simplesmente o Ko-Chan, o morcego que pertence à história do anime, mas aparecem muitos iguais a ele quando é preciso cobrir mais partes. E não é nem no contexto, poderiam colocar simplesmente o morcego passando na frente na hora exata, mas não, ele simplesmente fica lá como se fosse um adesivo colado na tela da TV. Também ficaram conhecidos como "factbats".
Essa censura não foi só no Brasil, mas em vários outros países. As versões para DVD e outras mídias vêm sem censura, então acabou ficando fácil achar na internet sem esses morcegos.

Quem viveu em meados de 2000 conheceu a febre das cartas de Yu-Gi-Oh e toda a polêmica que elas geraram. Quem aí já teve suas cartas rasgadas pelos pais, que diziam ser do demônio? Felizmente isso não aconteceu comigo, eu soube esconder bem minhas cartas. Mas enfim, o anime passou por muitas censuras nas cartas enquanto era transmitido na TV, e quando as cartas foram lançadas aqui elas sofreram várias edições. As principais delas foram quanto à nudez, já que várias artes apresentavam mulheres e homens (ou criaturas) seminus, que tiveram um pouco mais de roupa adicionada na versão brasileira. Para diminuir a presença de figuras demoníacas vários personagens tiveram chifres, asas e rabos removidos, tonalidade da pele modificada ou foram completamente mudados. Símbolos religiosos, como a Estrela de Davi, pentagramas, cruzes e até a Bíblia na carta "Exílio do Perverso" foram trocados ou simplesmente removidos. Uma das modificações mais curiosas é que diminuíram os seios da Feiticeira Negra! Inclusive, a Feiticeira foi uma das mais atingidas. Além dos seios, ela ganhou um short por baixo da saia e teve símbolos religiosos de seus objetos removidos.
Acho que listar essas cartas censuradas rende uma postagem inteira, não é? As mudanças nas cartas foram pro anime, que também sofreu com outras modificações, principalmente onde apareciam armas de fogo.
 
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Até a próxima postagem!

5 animes que já foram banidos em alguns países

Por Phos em sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Existem dezenas de animes que já foram banidos em algum país pelo mundo, mas nessa lista eu preferi reunir os que foram banidos pelos motivos mais curiosos ou inusitados.

Death Note foi um sucesso em vários países, mas na China isso foi visto como algo negativo para as crianças. Nas escolas, várias crianças estavam personalizando os cadernos e fazendo seus próprios death notes, e como todo o conceito sobre o caderno é meio mórbido (e psicopata, dependendo de quem comentar), foi interpretado que o anime estava ensinando as crianças a querer matar pessoas. Ou pelo menos insinuar que estavam matando pessoas, afinal era só para isso que o death note servia. A China realmente proibiu o anime e o mangá. No Novo México, nos Estados Unidos, isso quase aconteceu pelos mesmos motivos, as escolas pressionaram, mas nada aconteceu.

Em 2001, quando o mundo surtava com Pokémon, a Arábia Saudita proibiu o jogo. Para entender o motivo vocês precisam saber que a Arábia Saudita é um país onde 97% da população é muçulmana, o islamismo é a religião oficial e, por lei, o muçulmano que se converter à outra religião pode receber pena de morte. Lá é comum que saiam as fatwas, que é quando as autoridades religiosas se pronunciam sobre um tema específico dizendo como as leis islâmicas se aplicam naquele caso. Nesse ano de 2001 saiu uma fatwa dizendo que Pokémon trazia símbolos de outras religiões (como elementos da mitologia japonesa e até mesmo uma suposta Estrela de Davi, símbolo do judaísmo). Existe até uma história de que o anime e o jogo seriam uma conspiração dos judeus. Resultado: banido. E as cartas e todos os jogos relacionados foram banidos também porque, segundo eles, incentivavam a jogatina.

A França foi um dos países mais afetados pela Segunda Guerra Mundial, em especial pela ocupação nazista em seu território que durou muitos anos. Isso tornou o país muito rígido contra qualquer manifestação neonazista, e isso sobrou pro anime Kinnikuman. Nele existe um personagem chamado Brocken Jr., filho de um nazista e que por isso usa o uniforme do pai. Porém ele não apresenta nem segue as ideologias nazistas. Mesmo assim, 87 dos 137 episódios foram banidos no país sob a alegação de que o anime apresentava um nazista como uma pessoa boa e heroica. Já o mangá foi banido por completo. E a coleção de bonecos do anime, quando chegou aos Estados Unidos, teve o boneco de Brocken removido e substituído pelo de outro personagem. Ele também foi substituído em vários jogos nas versões de outros países.

Design do Coréia para o anime
Hetalia: Axis Powers é um mangá que traz países representados como pessoas, focando nos times formados na Segunda Guerra Mundial. Alguns poderiam reclamar que o anime utiliza muito os estereótipos de cada país para compor os personagens, mas é exatamente essa a ideia. O do Canadá, por exemplo, é calminho e sossegado, o da Itália é um obcecado por massas e o do Japão é disciplinado, trabalhador e possui obsessão por pornografia. O problema aconteceu na Coréia do Sul, onde a população ficou revoltada com a caracterização de seu país e uma petição online conseguiu banir o anime. A caracterização da Coreia é um sujeito obcecado por video game e internet e com uma relação de amor e ódio com o Japão, às vezes odiando, mas sempre querendo ser igual a ele. Lembrando que o Japão já dominou a Coreia do Sul por anos no passado, em uma das ocupações mais violentas da história. E o personagem se chama apenas Coreia porque, para o Japão, existe apenas uma (e a Coreia do Norte é um território rebelde).

Comparação entre Dot Pixis e o tal general
Shingeki no Kyojin é outro anime que já enfrentou muitos problemas. Ele esteve entre os 38 banidos na China em 2015 por apresentar muita violência explícita (o que, segundo as autoridades, tornaria as crianças violentas), mas vou comentar um motivo mais curioso que gerou polêmica um tempo atrás. Um dos personagens do anime, Dot Pixies, se parece muito com Yoshifuru Akiyama, que foi um general japonês na época em que o Império do Japão invadiu, conquistou e dominou a China (começou um pouco antes da Segunda Guerra Mundial e durou por toda ela). No Japão, o general é um herói de guerra, mas a China o conhece como um dos responsáveis pelos massacres e outros crimes horríveis que os japoneses fizeram na China durante o domínio. Isso fez com que o autor do mangá, Hajime Isayama, fosse ameaçado de morte por chineses.


Se vocês gostarem dessa postagem posso fazer uma parte 2! É só dizer aí nos comentários!

Até a próxima postagem!