A Ciência de Dr. Stone - Parte 9: Navegação

Por Phos em sábado, 20 de maio de 2023

 Para finalizar nossa análise da Ciência de Dr. Stone no arco da Era de Exploração só ficou faltando as tecnologias de navegação, que é o que cobrirei nesse post!

O mapa de tecnologias e invenções para a criação do navio Perseus é o seguinte:


Alguns desses itens acima eu não vou cobrir porque não há muito o que falar deles, como o mastro e o motor.

Uma das invenções mais avançadas nessa etapa do mangá foi a criação da tela. O princípio básico de uma tela (e uma televisão está inclusa nisso) é o tubo de raios catódicos, ou tubo de Braun (que, se não me engano, é como eles chamam no mangá). É um tubo com vácuo dentro, em uma ponta há um dispositivo que emite elétrons e na outra ponta há a parte da tela, que deve ser coberta por uma película que reage justamente aos elétrons, mudando de cor ou intensidade de brilho a depender do choque com essas partículas. O segredo do tubo de raios catódicos é que ele fica dentro de um eletroímã, então controlando quando e onde esse imã liga e desliga é possível manipular o caminho que os elétrons farão, definindo em que parte da tela eles vão se chocar. É fazendo esse controle do feixe de elétrons que as imagens são formadas.


Por ser uma invenção tão avançada ela é extremamente complicada de construir e aqui eu duvido que possa ser feita na situação que vimos no mangá. O tubo pode até ser construído e muitos cientistas fizeram os seus em casa para conduzir experimentos, mas os circuitos elétricos para controlar o feixe de elétrons ao ponto de gerar imagens coerentes em uma tela precisa ser tão preciso e bem feito que dificilmente seria possível naquela vila.


Passando para uma invenção mais plausível, a torre de sinal é algo que pode ser feito em casa, basta uma fonte de eletricidade bem forte. Senku optou por fazer uma torre de sinal em formato de toro (rosquinha), como vocês podem ver:


Eu acredito que ele tenha escolhido esse formato para emitir sinais em todas as direções, sem uma preferencial. Isso é bem comum em torres de sinal de telefone, por exemplo, já que o ideal é jogar sinal para todo lado mesmo. No entanto, eu acredito que o formato que está mais no nosso imaginário é esse:


Porque assim tanto a emissão quanto a recepção de sinais fica bem precisa, já que está focada em um único ponto. Para cobrir mais área, basta que a torre fique girando, assim esse foco móvel consegue cobrir todos os arredores. Eu realmente não sei se existe uma diferença muito grande na eficiência desses formatos, me informem nos comentários quem souber.

Usando a torre é possível criar um radar. O radar funciona assim: a torre emite um sinal de ondas eletromagnéticas em uma direção; se uma parte dessas ondas atingir algum objeto sólido ela vai rebater e voltar para a torre, assim a captação detecta a presença de algo naquela direção.  É para captar esse retorno que o radar tem aquele formato de parabólica.

O que o Senku fez no mangá foi conectar o retorno do radar na sua tela, assim ele poderia saber especificamente onde o sinal refletiu e, portanto, descobrir onde está o alvo detectado. Com isso é possível saber também a distância, basta calcular quanto tempo o sinal levou para sair e voltar. Tendo o tempo e sabendo a velocidade com que as ondas se movem (a velocidade da luz) é possível calcular a distância.


Uma torre pode captar não só o sinais emitidos por ela própria no radar, mas pode ainda captar sinais enviados por outras fontes. Foi assim que Senku e seus amigos receberam o famoso sinal WHY, que tem a ver com todo o processo de petrificação e que eu explico melhor em outro post.

Mas como estamos falando de navegação, existe uma outra ferramenta que pode ser mais útil: o sonar. O sonar possui o exato funcionamento do radar, a única diferença é que ele não usa ondas eletromagnéticas, o sonar usa ondas sonoras. Isso traz muitas vantagens na navegação porque ondas eletromagnéticas sofrem um pouco para se propagar na água, podendo passar por processos ópticos como refração e isso pode acarretar em distorções na detecção. Já as ondas sonoras viajam com muito mais tranquilidade, sem distúrbios e por distâncias maiores. Tem mais, lembram-se quando eu disse que as torres de radar podem captar sinais externos? Isso significa que elas podem ser rastreadas por radares de outras pessoas. Já o sonar não, é possível fazer um equipamento que emita sem ser detectado, o que é perfeito quando se trata, por exemplo, de submarinos.

Bom, acho que já escrevi muito até aqui, espero que tenham gostado de mais essa parte da série!

Confira todas as partes que já fiz (é só clicar na imagem):


https://universoanimanga.blogspot.com/2018/12/a-ciencia-de-dr-stone.html
Parte 1
https://universoanimanga.blogspot.com/2019/12/a-ciencia-de-dr-stone-parte-2.html
Parte 2
https://universoanimanga.blogspot.com/2020/01/a-ciencia-de-dr-stone-parte-3-remedio.html
Parte 3: Especial da criação de Remédios

https://universoanimanga.blogspot.com/2020/03/a-ciencia-de-dr-stone-parte-4.html
Parte 4

https://universoanimanga.blogspot.com/2020/04/a-ciencia-de-dr-stone-parte-5-especial.html
Parte 5: Especial da criação do celular
Parte 6 



Parte 7: Armas de guerra
Parte 8



Até a próxima postagem!

A Ciência de Dr. Stone - Parte 8

Por Phos em sábado, 4 de fevereiro de 2023

 Vamos para a parte 8 da série Ciência de Dr. Stone!


Hoje começo com os primeiros tópicos apresentados no Arco da Era da Exploração, que será o próximo arco adaptado para anime em 2023!

Um dos primeiros instrumentos que Senku cria para ajudá-lo a entender o clima é um termômetro.

Termômetros funcionam com base no fato de que materiais aumentam de tamanho quando esquentam, pois as moléculas das quais são feitos recebem mais energia e ficam mais agitadas. E essa expansão é diretamente proporcional à quantidade de calor adicionada, o que significa que podemos relacionar as duas por uma proporção.


Então funciona assim: coloca-se um pouco de mercúrio em um tubo e depois é feita a escala. Estamos mais acostumados com a escala Celsius, que vai de 0 a 100 graus, sendo que 0°C é a temperatura em que água vira gelo e 100ºC é a que água vira vapor. Por isso na hora de riscar a escala no termômetro é necessário colocá-lo no gelo (para saber em que ponto o mercúrio fica quando está a 0°C) e depois na água fervendo (para marcar o 100°C). Depois é só dividir o espaço entre essas duas medidas em medidas menores, finalizando a escala.

Quando a temperatura aumenta, o mercúrio expande dentro do tubo e o seu crescimento é proporcional à quantidade de calor, então ele vai apontar certinho na escala qual a temperatura. Ah, o mercúrio é usado porque ele é um metal que continua líquido e expandindo corretamente em toda a escala.


Na busca por alimentos para a viagem, o Reino da Ciência correu para plantar trigo e fazer pão. Então veio uma questão importante na plantação: o pH do solo.

pH significa potencial de hidrogênio e é uma escala que mede a concentração de hidrogênio de qualquer lugar. Essa concentração de hidrogênio é importante porque ela diz se algo é ácido, neutro ou base (base também é chamado de alcalino). Normalmente vai de 0 a 14, quanto mais perto de 0 mais ácida e quanto mais perto de 14 mais alcalina, sendo o neutro nos arredores de 7. Alguns exemplos de pH: ácido de bateria (pH = menos de 1), vinagre (pH=3), água pura (pH=7), soda cáustica (pH=13,5).

O solo para plantação precisa ter um pH entre 5,5 e 6,5 para que as plantas tenham melhor acesso aos nutrientes, por isso é essencial que sejam feitas essas medidas. Chrome, sem perceber, consegue lidar com um solo ácido jogando conchas moídas nele. Sabe por que isso funciona? Porque as conchas moídas são alcalinas, então há um equilíbrio na acidez, jogando o pH mais para o meio da escala. Essa é uma das funções dos fertilizantes também!

Para medir o pH, Senku usa o papel de tornassol, que é uma fita de papel misturada com uma solução química que a faz mudar de cor quando exposta a alguma solução. Quanto mais ácida a solução mais para o vermelho o papel fica, e quanto mais alcalina mais azulado fica. Normalmente o papel fica roxo se a solução for neutra como a água. É bem fácil de comprar esses papéis se você quiser fazer testes com substâncias em casa.


Agora vamos para um dos processos mais interessantes de estudar e que foi mostrado nesse pedaço do mangá: a fotografia.

Desde muito tempo as pessoas fazem experimentos com luz e alguns deles são bem memoráveis, como a da câmara escura. Consiste em um ambiente fechado e totalmente escuro com um único furo por onde a luz entra; tudo que estiver na frente desse furo é projetado de cabeça para baixo e reduzido dentro do ambiente escuro. Na imagem abaixo também dá pra ver como funciona:


As pessoas ficaram fascinadas com a câmara escura, mas queriam algo mais: será que era possível capturar para sempre o que foi projetado?

Muitos processos foram inventados para tentar a captura de imagens e em 1839 foi anunciado o primeiro equipamento comercial que prometia isso: o daguerreótipo, nome em homenagem ao criador, Louis Daguerre. Era basicamente uma câmara escura numa caixa com uma lente que abre e fecha para entrada da luz e um segredo essencial: uma placa de material sensível à luz no fundo. Quando a lente era aberta e a luz entrava, ela queimava a placa e deixava marcada a imagem. Só que isso exigia muito tempo de exposição, a pessoa tinha que deixar o daguerreótipo por vários minutos capturando a imagem.


A placa sensível à luz é chamada de filme e o Senku usou um processo bem curioso para fazer o seu próprio.

Primeiro ele misturou hidróxido de sódio (a já conhecida soda cáustica) com prata e amônia, ainda na fase de fazer um espelho. O objetivo dele é criar nitrato de prata (que é a união de moléculas da prata com o nitrogênio da amônia e o oxigênio da soda cáustica). Não encontrei uma explicação se é simplesmente misturar os três que chegamos ao nitrato de prata, se alguém que entenda mais de química quiser deixar uma explicação nos comentários fique à vontade!

O próximo passo foi colocar a placa de vidro com nitrato de prata na caixa e enchê-la de água salgada. Isso é feito porque a mistura do nitrato de prata com o sal (cloreto de sódio) gera uma reação que cria outra substância: cloreto de prata, que é sensível à luz do sol. Quando a luz encontra a placa com essa substância ela queima definitivamente a imagem. Está criada a fotografia!


A diferença das câmeras criadas posteriormente é que o filme foi ficando cada vez mais sofisticado, ao ponto de a resolução melhorar absurdamente e o tempo de exposição ser de apenas instantes. Já as câmeras digitais não possuem filme, a luz é captada por sensores que transformam digitalmente o que foi captado em pixels da foto.

No próximo post dessa série vou comentar os conteúdos relacionados à navegação: radares, sonares e, é claro, o navio!

Confira todas as partes que já fiz (é só clicar na imagem):


https://universoanimanga.blogspot.com/2018/12/a-ciencia-de-dr-stone.html
Parte 1
https://universoanimanga.blogspot.com/2019/12/a-ciencia-de-dr-stone-parte-2.html
Parte 2
https://universoanimanga.blogspot.com/2020/01/a-ciencia-de-dr-stone-parte-3-remedio.html
Parte 3: Especial da criação de Remédios

https://universoanimanga.blogspot.com/2020/03/a-ciencia-de-dr-stone-parte-4.html
Parte 4

https://universoanimanga.blogspot.com/2020/04/a-ciencia-de-dr-stone-parte-5-especial.html
Parte 5: Especial da criação do celular
Parte 6 



Parte 7: Armas de guerra



Até a próxima postagem!

O que pode ser a doença dos animes?

Por Phos em sábado, 26 de novembro de 2022

Quantas vezes você já viu em alguma história um personagem com grande papel na trama morrendo de uma doença misteriosa quando nada mais poderia pará-lo? Pedi por exemplos na página do Instagram do blog e vocês me apontaram vários!


Isso é bem comum em filmes e séries em geral, porém a presença constante em animes fez com que recebesse o nome de "doença dos animes" pelo público. Entre os sintomas podem aparecer as olheiras profundas, a pele pálida, mas um deles é indispensável: a tosse com sangue.

De um ponto de vista narrativo esse é um tipo de tropo. Um tropo é um conceito, ideia, evento ou característica que se repete bastante em obras de ficção e por isso recebe um nome para classificá-lo. Entre os tropos que todo mundo deve conhecer temos o "triângulo amoroso", "o herói escolhido", "o mestre velho e sábio", etc.

Não existe um nome fixo para a doença dos animes (além deste, claro), quando ele é usado em outros meios normalmente recebe o nome de "tosse da morte" ou "doença incurável". Trata-se de um dispositivo de roteiro que tem várias funções como:

  • Dar o pontapé na história: a partir de uma doença os personagens podem começar uma grande aventura, como para procurar uma cura ou fazer algo antes que a morte atinja a vítima, por exemplo.
  • Criar um senso de urgência: uma pessoa que está morrendo tem uma contagem regressiva consigo o tempo todo, tornando qualquer trama ao seu redor uma corrida contra o tempo. Isso é bom para criar tramas dinâmicas.
  • Servir como recurso visual: um dos melhores jeitos de mostrar que alguém está doente sem precisar ficar anunciando isso é com recursos visuais, e a tosse com sangue faz isso perfeitamente.
  • Colocar um fim inevitável a um personagem: especialmente em animes existem personagens que são poderosos demais para serem derrotados ou vê-los perder para outro personagem iria diminuir sua notoriedade, então os autores o fazem perecer para algo "natural" e inevitável como uma doença incurável.

Ou seja, essa não é uma exclusividade dos animes por servir muito bem em qualquer tipo de história. E como o foco está na aventura que tudo isso cria, pouco importa qual a doença.

Para essa postagem vamos focar nos animes, estudar algumas exemplos e tentar adivinhar candidatos para a doença.

Antes eu queria tirar de consideração quando um personagem tosse sangue depois de sofrer algum golpe, como acontece bastante em animes mais antigos e se manteve presente até hoje (por exemplo em Cowboy BebopGintama).

Também quero tirar alguns casos que foram plenamente explicados como: em Fullmetal Alchemist Izumi Curtis tosse sangue porque danificou seus órgãos internos em uma tentativa falha de transmutação humana; e em Naruto Hinata cospe bastante sangue por ter seu sistema de chakra danificado por golpes do Neji.


Vamos para alguns exemplos mais misteriosos:

Em Dr. Stone, a personagem Ruri sofria de alguma doença que foi combatida com o remédio de Senku e por pouco não morreu, o que podemos encarar como uma reviravolta nesse tropo. Falo mais sobre esse caso no post sobre a ciência de Dr. Stone.

No Instagram apontaram Gol D. Roger de One Piece como um exemplo e ele recai no quarto tópico que listei ali em cima, que é uma forma de acabar com um personagem poderoso. Ao mesmo tempo ela funciona como pontapé para a história, afinal saber que tinha um fim próximo é que colocou Roger na icônica cena de sua execução anunciando o One Piece ao mundo e dando início a Era dos Piratas.


Me apontaram também Jushiro Ukitake de Bleach, que eu não conheço porque não fui muito longe com o mangá. Mas com uma busca rápida vi que a doença dele também não foi revelada, mas possui uma revelação interessante: ela é uma doença nos pulmões. Guardem isso pra daqui a pouco.


Curiosamente, os exemplos são bons no Big Three, então vou trazer de novo Naruto, que é onde temos dois exemplos. Descobrimos primeiro que Kimimaro possui uma doença que o faz tossir sangue e que ela está matando-o aos poucos. Se não fosse por isso Orochimaru conseguiria o seu corpo e nunca precisaria do Sasuke, então a história seria muito (muito mesmo) diferente no mangá. O mesmo acontece com Itachi, inclusive é essa morte iminente que motiva grande parte de seus planos pensados vários movimentos à frente para que ele conseguisse tudo que queria antes de ser levado pela doença. Nas tosses de Itachi ele leva uma das mãos ao pulmão, o que pode indicar uma doença pulmonar também.


Depois de pesquisar e ver algumas doenças que poderiam ser candidatas a essa doença dos animes eu selecionei três mais prováveis: câncer de pulmão, pneumonia e tuberculose. Gostaria de comentar uma por uma, só que vou avisar já: não chegarei a uma conclusão nesse post! Até porque isso seria impossível, como eu disse antes, a real doença não importa, só o que ela causa, então a explicação mais maluca (porém possível no universo da história) poderia ser usada para justificar. O divertido vai ser especular.

Essas são três doenças que afetam os pulmões e por isso podem acarretar em tosse com sangue, além de debilitar o corpo, tendo como resultado palidez, olhos profundos, etc. Vou explicar cada uma:

O câncer de pulmão acontece quando as células dos tecidos dos pulmões começam a se reproduzir descontroladamente depois de algum defeito em seu genoma. Esses defeitos podem acontecer por questões genéticas herdadas ou fatores externos, como o excesso de fumo ou respirar substâncias nocivas por anos. Essas células cancerígenas crescendo descontroladamente prejudicam o funcionamento das células normais, que é o que gera os problemas do câncer no corpo.

Existem vários sinais de que Roger, Itachi e outros poderiam ter câncer, mas essa é uma doença tão cheia de variáveis que fica difícil inferir com certeza. 

A segunda opção é pneumonia, uma infecção nos pulmões. Essa infecção pode acontecer por várias causas, basta que algum corpo estranho chegue na região do pulmão onde há a troca de ar (entra oxigênio, sai gás carbônico). E os corpos estranhos podem ser vírus, bactérias ou algo inanimado que foi aspirado e acabou parando nessa parte. Hoje em dia temos vacinas e antibióticos para combatê-la, de modo que morrem mais pessoas em situação de debilitação e risco (como quem já sofre de outra doença grave) ou com sistema imunológico frágil (como bebês), ainda assim milhões perecem todo ano de pneumonia, então imaginem como era antes dessas invenções!

E por último temos a tuberculose, que é causada por uma bactéria capaz de infectar vários órgãos, porém principalmente os pulmões. Grande parte dos infectados não demonstram sintomas, existem estimativas de que pelo menos 30% da população mundial possui tuberculose (são mais de 2 bilhões de pessoas)! Possui tratamento, só que ele é bastante demorado e exige antibióticos, o que muita gente acha pesado e por isso há uma parte das pessoas que não o faz até o final, o que pode levar a uma piora na doença e sequente morte.


Souji Okita
foi um espadachim muito habilidoso que existiu na história e foi representado em vários animes, como Shuumatsu no Valkyrie. Em Bakumatsu Kikansetsu Irohanihoheto, ele aparece como vítima de uma doença com os mesmos sintomas clássicos da doença dos animes. Acontece que sabemos qual a doença que ele sofria na vida real e que inclusive foi a causa da sua morte: tuberculose. Existe um personagem em Gintama baseado em Souji Okita, porém é a irmã dele, chamada Mitsuba, que possui tuberculose. Também é tuberculose que mata Magdalia (Mutoh Sayo) em Samurai X (Rurouni Kenshin).

Como eu disse antes, não dá para chegar a uma conclusão. Porém se eu fosse chutar diria que é mesmo a tuberculose, já que ela pode ser silenciosa, pode surgir sem necessidade de fatores genéticos (ou seja, não precisa ser herdada na família, afinal não vimos nenhum Uchiha com a doença do Itachi!), não debilita imediatamente da mesma forma que um câncer e pode levar à morte se não for bem tratada.

Por fim é importante dizer que não podemos afirmar que toda vez que esses sintomas aparecem significa que a pessoa tem alguma dessas doenças, muito menos que todos os personagens de anime apresentados tinham alguma delas, fizemos aqui apenas um exercício de análise para criar hipóteses.

Se você lembrar de mais personagens que a doença dos animes ou tem alguma explicação para ela pode deixar nos comentários que vou ler sempre!


Até a próxima postagem!

A Ciência de Dr. Stone - Parte 7: Armas de Guerra

Por Phos em sábado, 16 de julho de 2022

 Hora de começarmos a parte 7 da série de postagens sobre a Ciência de Dr. Stone! No final desse post você pode conferir o link para as outras partes. 

Hoje comentarei sobre as invenções feitas durante a Guerra de Pedra, um evento que vimos na segunda temporada do anime.


Acho que o melhor ponto para começar é falando sobre a tecnologia a vapor. Essa tecnologia foi tão importante para a humanidade que ela definiu toda uma era, a Revolução Industrial foi o começo de muitas coisas que temos hoje em dia, como o estilo de produção das fábricas, o funcionamento das empresas, etc..

Para entendermos como essa tecnologia funciona, vamos falar sobre vapor.

Lá na escola aprendemos que a matéria pode ocorrer em três estados: sólido, líquido e gasoso. Estudando um pouco mais descobrimos que esses estados têm a ver com a quantidade de energia que os átomos daquela matéria possuem. Com pouca energia, os átomos ficam quase parados e isso quer dizer que o material está sólido; com uma energia intermediária os átomos se mexem um pouquinho, indicando que o material está líquido; e quando há muita energia, os átomos se mexem freneticamente e isso indica que o material está em estado gasoso.


O vapor é o nome dado a uma substância no estado gasoso. Normalmente usamos essa palavra para o estado gasoso da água, mas existem vapores de várias outras substâncias. Como nessa postagem iremos falar apenas de vapor de água, vou suprimir e chamar só de vapor. Como os átomos no vapor estão se mexendo freneticamente, eles precisam de muito mais espaço, por isso o estado gasoso ocupa muito mais espaço que o estado líquido e o sólido. Essa é a chave da tecnologia a vapor.

Quando esquentamos a água líquida, ela vira vapor e se expande, ou seja, ela começa a empurrar tudo a sua volta em busca de espaço. O que precisamos fazer é montar um sistema que se aproveite dessa força exercida pela expansão do vapor para realizar alguma tarefa.

Vou usar até o diagrama mostrado no mangá, que consiste em um pistão ligado a uma roda:

Os passos são os seguintes:

  1. O pistão está no alto com a sua outra extremidade presa à roda.
  2. O vapor entra na câmara empurrando o pistão para baixo, assim o pistão move a roda.
  3. A câmara se mexe e o próprio movimento da roda empurra o pistão para cima de novo, expulsando o vapor.
  4. A câmara volta à posição normal com o pistão no alto para reiniciar o ciclo.

E assim é possível fazer com que rodas girem, entre muitas outras aplicações!

Com essa básico pronto, tudo que é preciso fazer é aprimorar os entornos e foi o que Senku e seus amigos fizeram. Eles usaram esse mecanismo a vapor para fazer um veículo móvel, depois bastou equipá-lo com blindagem para transformá-lo em um tanque de guerra, o Gorila de Vapor.


Já que citei o canhão, vamos para a próxima tecnologia: a arma do canhão.

A expansão do vapor é rápida, mas existe uma outra ainda mais veloz: uma explosão. Uma explosão é uma expansão rápida de gases, que também saem empurrando tudo que está pela frente. O tanque de guerra do Senku usa uma explosão para empurrar o projétil de seu canhão, a chave está no mecanismo que vou explicar abaixo, antes é bom terem em mente o próprio esquema mostrado no anime:


No tanque de baixo temos água, que recebe uma descarga elétrica, dando origem ao processo de eletrólise: a eletricidade separa as moléculas de água, gerando hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio é inflamável e explode quando exposto a uma fagulha. É essa a explosão em alta velocidade que empurra o projétil como um tiro. Existe um desafio interessante aqui: como evitar que o gás hidrogênio escape antes de acender a fagulha, mas ao mesmo tempo não destruir o tanque na hora da explosão? Senku resolveu esse problema fazendo um buraco no tanque e cobrindo ele com uma folha de borracha, assim ele isola o gás lá dentro e, na hora da explosão, simplesmente se rompe, deixando toda a pressão escapar pelo tudo do projétil. A única desvantagem é que a cada novo tiro é preciso trocar a borracha. Ah, e já entenderam por que precisa ser de borracha? Respondeu certo quem pensou que é porque o gás expande!

A munição do canhão para esses tiros normais é simplesmente uma grande e dura bola, porém vimos uma variação bem curiosa que chamaram no mangá de tiro falso, e eu chamaria de bomba de efeito moral. Esse é um tipo de bomba que não causa danos diretos, serve apenas para amedrontar ou desestabilizar o alvo.

A bomba de efeito moral de Senku possui o esquema abaixo:

(Por falta de tempo não consegui editar a parte em japonês, abaixo deixei a descrição)

Ela é uma lata cheia de materiais combustíveis, como pó de carvão e álcool. Dentro há ainda um frasco de vidro cheio de ácido sulfúrico, e do lado de fora desse frasco há vários pedaços de ferro. Quando a bomba é disparada e atinge o alvo, o frasco de vidro quebra, fazendo com que o ácido sulfúrico entre em contato com o ferro: essa reação faz com que haja ignição nos combustíveis, causando uma pequena explosão. Vou ser sincero com vocês, eu não sei e nem achei nas pesquisas como essa reação levaria a uma explosão, ácido sulfúrico e ferro reagindo não liberam chamas ou algo do tipo, talvez libere calor o suficiente para acender o álcool, só que não achei informações sobre isso. Se alguém souber me diga nos comentários.

O importante é que haja a ignição do combustível, pois o som da pequena explosão e as chamas são o que causam o efeito assustador, intimidando aqueles que pensarem que vão presenciar uma explosão destrutiva.

Falando em som, vamos falar do canhão de som.

O segredo dessa arma está no seu formato. Aquela forma de antena parabólica é chamada de côncava, ela possui a propriedade de pegar qualquer tipo de onda que atingir o seu interior e direcionar para um ponto específico que chamamos de foco. É por isso que, numa antena parabólica, se coloca o receptor exatamente nesse foco, assim a antena capta todos os sinais de TV e colocam certinho onde ele tem que ir. O desenho abaixo deve simplificar o entendimento:


Da mesma forma que o processo funciona de um lado ele pode funcionar ao contrário. Se você emitir algo a partir do foco as ondas atingirão a antena e se espalharão, assim como mostrado no anime e mangá. É claro que lá eles exageraram um pouco para causar um efeito mais dramático, quem já foi em algum show ou viu um carro alegórico sabe que é preciso uma caixa de som bem maior para que as ondas sonoras sejam realmente incômodas.


Por fim, vamos falar sobre uma tecnologia que é realmente destrutiva em larga escala.

Lembram-se lá do começo quando Senku fez sabão? Pois bem, em um dos jeitos de fazer sabão normalmente se mistura algum tipo de óleo (como o óleo usado de cozinha ou gordura) com soda cáustica (hidróxido de sódio). Óleo ou gordura são fáceis de encontrar e a soda cáustica já vimos como faz (lá na parte 3), então é fácil para Senku fazer o sabão usando esse método. Os produtos da mistura dessas duas substâncias é o próprio sabão e mais uma coisa: glicerina, que é um tipo de óleo viscoso.

Para continuarmos o processo para a criação da tecnologia realmente destrutiva vamos precisar de mais dois ácidos. O primeiro é o ácido sulfúrico, que já vimos também lá na parte 3 e sabemos que Senku o obteve nas fontes termais. E o segundo é o ácido nítrico, uma das primeiras descobertas lá dos primeiros capítulos (por isso vimos na parte 1), obtido com o cocô de morcego (guano). A mistura de glicerina com os ácidos sulfúrico e nítrico gera... nitroglicerina!


A nitroglicerina também é um líquido oleoso, mas com uma propriedade bem interessante: é bastante explosiva! E nem é preciso dar ignição com fogo nela, é possível detoná-la simplesmente com uma pancada forte o suficiente! Um químico sueco chamado Alfred Nobel descobriu que alguns materiais absorvem a nitroglicerina como se fossem uma esponja, criando o que hoje conhecemos como dinamite! Esse mesmo químico, arrependido de ter inventado algo tão destrutivo, deixou em seu testamento que parte de seu dinheiro deveria ser usado para criar uma fundação que daria prêmios às pessoas que mais contribuíssem para o desenvolvimento da humanidade, criando assim o Prêmio Nobel. (Depois de escrever essa história do Nobel é que eu fui lembrar que ela é contada em Dr. Stone!)


Enfim, depois de criar a nitroglicerina tudo que Senku precisou fazer foi desenvolver o produto que iria absorvê-la para criar explosivos. O uso mais legal que vimos foi na forma de aviões de papel embebidos de nitroglicerina, portanto eram como explosivos voadores. Ukyo, inclusive, usou um pedaço de papel com nitroglicerina na ponta de suas flechas. Depois ele também criou dinamites do jeito que conhecemos, em tubos informalmente chamados de "bananas". Esse formato é bom porque ele pode ser enfiado dentro de buracos em pedras ou no chão, o que nos leva a um uso que não seja só para a guerra, afinal dinamites podem ser usadas para remover obstáculos, abrir passagens ou fazer buracos (o uso que Senku deu, inclusive).


Com isso terminamos o que foi adaptado para anime até agora! Ainda estou pensando se continuo baseado no mangá ou se espero mais anime. Provavelmente será a primeira opção!

Confira todas as partes que já fiz (é só clicar na imagem):


https://universoanimanga.blogspot.com/2018/12/a-ciencia-de-dr-stone.html
Parte 1
https://universoanimanga.blogspot.com/2019/12/a-ciencia-de-dr-stone-parte-2.html
Parte 2
https://universoanimanga.blogspot.com/2020/01/a-ciencia-de-dr-stone-parte-3-remedio.html
Parte 3: Especial da criação de Remédios

https://universoanimanga.blogspot.com/2020/03/a-ciencia-de-dr-stone-parte-4.html
Parte 4

https://universoanimanga.blogspot.com/2020/04/a-ciencia-de-dr-stone-parte-5-especial.html
Parte 5: Especial da criação do celular
Parte 6 



Parte 7: Armas de guerra


Parte 8


Até a próxima postagem!