A Alkahestria em Fullmetal Alchemist

Por Phos em sábado, 7 de outubro de 2023

 Recebi uma pergunta na página do Instagram (@universoanimanga) sobre como era confuso o conceito de Alkahestria em Fullmetal Alchemist. Como eu lembrava pouco, resolvi fazer uma pesquisa e acredito que isso rende um post.


Antes de falar da Alkahestria é bom lembrar alguns detalhes importantes da alquimia "padrão" encontrada em Amestris. Nesse caso, a alquimia é centrada em fazer transmutação de matéria, modificar um elemento em outro e gerar formas ou ações a partir disso.

Já a Alkahestria é focada em controlar o chi, a energia vital que flui sobre todo o mundo, incluindo terras e montanhas, e em tudo que é vivo. Por se tratar de algo tão vital, essa forma de alquimia é bastante usada para ações de cura e tratamento. De fato, a alkahestria pode curar ferimentos pequenos e doenças menos severas. Isso explica porque usuários de alkahestria eram muito mais focados em obter um elixir da imortalidade do que uma pedra filosofal, como era o objetivo da alquimia de Amestris.


Tudo começou em Xerxes, a antiga civilização perdida. Eles tinham sabedorias bem avançadas em alquimia e tempos depois do sumiço desse povo por inteiro, Hohenheim e o Homúnculo original (depois chamado de Pai) seriam o únicos a manterem esses conhecimentos.

Enquanto isso, em Xing havia toda uma filosofia em torno do tal chi, chamado por eles de lung mei (o pulso do dragão), exatamente com essa visão de energia fluindo por todo o universo e unindo tudo que existe. Eles realizavam curas baseados nisso, mas por meio de poções que nem sempre davam certo e às vezes causavam até mal, como os relatos de que governantes de Xing morreram ao beber o mercúrio presente em alguns supostos elixires de vida eterna.

Quando Hohenheim apareceu em Xing, onde seria batizado de Filósofo do Ocidente, ele introduziu o que havia aprendido de Xerxes. O povo de Xing uniu esse conhecimento com o que já sabiam sobre chi, criando assim a alkahestria.

Logo, sabemos que Hohenheim é capaz de usá-la, mas nunca mostrou. Resta então May Chang, a única pessoa que apareceu no mangá e anime capaz de usar essa forma de alquimia. Tudo que temos visualmente sobre a alkahestria vem dela, como o uso das lâminas com faixas e os pentagramas para invocação do poder ao invés dos círculos de transmutação habituais. Não confunda com o uso puro de chi, algo que personagens como Ling Yao e Lan Fan sabem usar.



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Até a próxima postagem!

Quimeras humanas são possíveis? - A Ciência de Fullmetal Alchemist

Por Phos em quinta-feira, 13 de abril de 2023
Alguns anos atrás circulou bastante a notícia de que o Japão tinha permitido a criação do que alguns jornais chamaram de "quimeras humanas". Eu entendo que esses jornais precisam de manchetes alarmantes para atrair leitores, porém precisamos tomar cuidado com esses termos. Baseado nisso, vou explicar o que foi essa notícia usando como base a ciência de Fullmetal Alchemist e falar sobre quimeras humanas!




Em Fullmetal Alchemist a alquimia enfrenta vários tabus. Qualquer um que tenta realizar esses feitos é condenado judicialmente ou socialmente, afinal são ações consideradas muito imorais e antiéticas. Temos, por exemplo, a transmutação humana que comentei em outra postagem. Mas agora quero focar em outro tabu: criar quimeras humanas.

Uma quimera é, no sentido mais simples, uma mistura entre animais. Na mitologia grega havia várias descrições de bichos assim, como a de um leão com patas de touro e uma serpente no lugar do rabo. É fácil imaginar como essas ideias surgiram no imaginário das pessoas, afinal parece a mistura de muitos medos em uma coisa só. Esse tipo de mistura puramente animalesca em Fullmetal é até aceitável, como podemos ver na criatura na imagem abaixo, que é uma quimera usada como guarda. O tabu mesmo era se um dos animais misturados fosse um humano.


No mangá tivemos alguns exemplos que deram ""certo"" e uns que funcionaram, porém ficaram um tanto... traumatizantes. Quem aí que leu (ou assistiu o anime) não se lembra da Nina Tucker?
 

A gangue do Ganância tinha quimeras humanas que conseguiam lidar bem com as habilidades animais que haviam ganhado com a mutação. Major Kimbley tinha quimeras humanas como guarda-costas. Só que todos esses eram humanos normais que conseguiam desenvolver as habilidades do animal ou assumir uma forma híbrida e depois voltar ao normal.
O que o alquimista federal Shou Tucker tentava obter, e de certa forma conseguiu com a filha, era uma quimera animalesca capaz de falar e demonstrar consciência humana.



E agora, quais as possibilidades científicas?


Se formos bem abrangentes, nós já somos quimeras. Certos vírus, bactérias e fungos são capazes de alterar o DNA de animais, pois é assim que eles sobrevivem. Por exemplo, certos vírus mudam no DNA o jeito como o corpo produz células, alterando para um jeito que os favoreça. E pode acontecer de, quando os animais passam seu DNA adiante para os filhos, pedaços do que foi inserido pelos vírus também passarem. Milênios atrás, esses seres fizeram isso tantas vezes que outros animais acabaram ficando com muitos genes de vírus e bactérias no próprio código genético. 

Um exemplo que eu acho incrível é que só é possível para as mulheres humanas gerarem um bebê por conta do material genético de vírus que se mesclou ao DNA de mamíferos milhões de anos atrás. Afinal, o bebê é um organismo nascendo no corpo de outro, então o que impede esse corpo hospedeiro de tentar expulsá-lo? Quem bloqueou isso foi justamente esse pedaço de material genético do vírus (que é alguém que sabe muito bem como se proteger contra ser expulso do corpo). Mas aqui estamos falando de quimeras genéticas e não é tão visualmente chocante. Vamos aumentar uma etapa.

Um caso mais comum do que imaginamos acontece quando, durante a gestação de gêmeos, um dos bebês morre e o outro acaba absorvendo ele por completo. Algumas vezes isso pode se manifestar no bebê sobrevivente como alguma parte extra (um mamilo, por exemplo); algo mais simples, como uma verruga, ou fica completamente imperceptível. Ainda que nada mude no corpo, pode acontecer da pessoa ter dois DNAs. Um exemplo muito conhecido é o da cantora e modelo Taylor Muhl, que absorveu a sua irmã gêmea morta no útero e nasceu com dois tons de pele diferentes. Antes ela achava que era apenas uma grande marca de nascença, até descobrir que os dois lados tinham DNAs diferentes, um que era seu mesmo e outro que seria o da sua falecida irmã.


Existem vários outros exemplos ainda, vários com plantas inclusive, mas tenho certeza que poucos de vocês vieram aqui ler sobre isso. Vocês querem as quimeras monstruosas, pessoas com cabeça de outros animais e coisas assim, né?

Acontece que existe esse tabu na vida real também. E eu até acho que faz sentido. Pense comigo, para fazer um experimento como esse é preciso submeter uma pessoa a vários procedimentos cirúrgicos, processos que podem nem funcionar direito. O mesmo para um animal. Então, para quê fazer uma pessoa sofrer tanto sendo que o resultado não vai trazer nada de produtivo a não ser um freak show?

O que foi autorizado no Japão é permitir que órgãos humanos sejam gerados em animais. Funciona assim: os cientistas pegam as células-tronco (que são capazes de se transformar em outras células) de um humano e as implantam em um animal, fazendo as modificações necessárias para o que quiserem desenvolver. E então esse animal vai nutrir e crescer essas células até formarem um órgão novo. Com isso é possível, por exemplo, gerar um fígado humano dentro de um porco. Quando a pessoa precisar de um fígado, ao invés de esperar um doador compatível, é só ir até uma "fazenda de fígados" onde haverá dezenas de tipos disponíveis em milhares de porcos criados com essa função. Existe uma discussão de ética animal envolvida nisso, mas não quero entrar nesse assunto porque o texto já está bem longo.

Ok, vamos às quimeras pra valer. A partir de agora vou usar "quimera" como a mistura monstruosa de animais, não mais no sentido que vimos anteriormente.

A primeira tentativa a se imaginar é por meio da relação sexual, esperando que a cria seja uma mistura dos pais. Ou, de maneira menos direta, por inseminação artificial. Ilya Ivanov, um cientista soviético, se tornou especialista nessa área por volta de 1920 e por meio de inseminação conseguiu gerar híbridos de espécies diferentes como burros e zebras, entre outros. E ele até tentou fazer híbridos inseminando chimpanzés com espermatozoides humanos, o que não deu certo. Ivanov queria tentar o contrário, inseminar mulheres com o espermatozoide de macacos, porém seus animais morreram antes que ele pudesse começar o experimento e (por questões políticas da União Soviética) ele foi preso e exilado. Nesse meio tempo há registros de que ele tentou inseminar humanos em Guiné, na África, mas até onde sabemos ele não foi autorizado.

O ligre é uma mistura entre leão e tigre

Em 1977, com a microbiologia mais desenvolvida, foi testado se o espermatozoide humano seria capaz de fecundar óvulos de primatas como chimpanzés, que são os nossos parentes mais próximos. E o resultado foi: não é possível. Sem nem com primatas é possível, podemos esquecer com outros animais. Inclusive, todos os híbridos (como os ligres) são entre espécies próximas, ninguém consegue gerar uma mistura de ave e felino, por exemplo. Portanto, nenhuma quimera pode nascer da relação sexual entre um humano e um animal. Resta então modificar seres vivos para unir partes um no outro.

Aí entra outro empecilho: a incompatibilidade. O corpo humano, assim como o de qualquer outro animal, tem suas características específicas e quase nunca elas são compatíveis entre espécies diferentes. Primeiro vem o trabalho colossal que seria unir cirurgicamente partes de animais diferentes, são ossos que não batem no tamanho e densidade, fibras musculares variadas, vasos sanguíneos incompatíveis. E mesmo que isso seja feito e o membro implantado se encaixe, ele dificilmente vai ficar funcional. Pelo menos não por muito tempo. Eu explico:

Nosso DNA dita como o corpo vai funcionar, como se ele fosse o código de programação de um software. É graças a ele que renovamos nossas células constantemente de maneira correta, com seu código dizendo onde, quando e como serão as funções delas. Um membro animal diferente terá células com DNA diferente, então vai se comportar em descompasso com o resto do corpo. Imagine o caos biológico que isso seria. O que eu acho que irá acontecer é que o membro simplesmente começaria a se decompor como se seu dono estivesse morto. E pode acontecer o principal na incompatibilidade: o corpo vai identificar aquele DNA diferente como um invasor e fará de tudo para destruí-lo, essa é a chamada rejeição. Se isso já acontece até com órgãos transplantados de humano pra humano, o que seria dos membros animais.

Então a conclusão é que quimeras humanas no sentido de mistura entre humanos e animais ainda não existe e muito provavelmente nunca será possível por questões de incompatibilidade, afinal são criaturas completamente diferentes em vários níveis, em especial na genética.

Esse assunto rende muito mais discussões e eu até tinha mais coisas para comentar, mas acho que já me alonguei demais, então fico por aqui!


Até a próxima postagem!


Quantos episódios fillers tem nesses animes?

Por Phos em sábado, 10 de dezembro de 2022

 Uma das séries de posts de maior sucesso na página do blog no Instagram (aliás, segue lá em @universoanimanga!) é sobre a quantidade de episódios fillers em alguns animes mais conhecidos. Resolvi compilar todos os posts aqui em formato de texto.


Pra quem não sabe, filler é um episódio extra com história que não existe no material original e adicionado ao anime para aumentar a quantidade de episódios por motivos variados: para gerar mais audiência, fazer recapitulação para relembrar a audiência, atrasar a adaptação do anime para dar mais tempo ao mangá, etc. A fonte dos dados que usei aqui é o AnimeFillerList, um site especializado em contabilizar episódios fillers.


Dragon Ball

  • 21 de 153 (14% de filler)

Dragon Ball Z

  • 38 de 291 (13% de filler)


Dragon Ball GT é inteiramente original, sem qualquer material base, e ainda por cima foi tirado do cânone, então é 100% filler.

Dragon Ball Super
  • 14 de 131 (11% de filler)

One Piece

  • 95 de 1046 (9% de filler)

Bleach

  • 163 de 366 episódios (45% de filler)

Naruto

  • 90 de 220 (41% de filler)


Naruto Shippuden

  • 203 de 500 (41% de filler)

Boruto: Naruto Next Generation

Se considerarmos filler os episódios que não são adaptados do mangá, então:

  • 209 de 281 (74% de filler)

Acontece que Boruto não é um anime que se mantém muito atrelado ao seu mangá, diferente da maioria dos casos nessa lista. As histórias nos dois quase que correm independente. E desde o princípio parece que o anime não foi feito pra adaptar o mangá mesmo, tanto que várias decisões criativas diferentes foram tomadas, como explorar mais os personagens e criar histórias paralelas. Então talvez o critério para classificar fillers como conteúdo diferente entre mangá e anime seja injusto, se considerarmos filler somente os episódios que não acrescentam na continuidade da história temos:

  • 30 de 281 (11% de filler)

Black Clover

  • 17 de 170 (10% de filler)

Fullmetal Alchemist: Brotherhood

  • 1 de 64 episódios (2% de filler). 


Fairy Tail

  • 61 de 328 episódios (19% de filler)

Detetive Conan

  • 474 de 1066 (44% de filler)


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Se quiserem saber de algum que ficou faltando é só dizer nos comentários que adiciono ao post!


Até a próxima postagem!

O que pode ser a doença dos animes?

Por Phos em sábado, 26 de novembro de 2022

Quantas vezes você já viu em alguma história um personagem com grande papel na trama morrendo de uma doença misteriosa quando nada mais poderia pará-lo? Pedi por exemplos na página do Instagram do blog e vocês me apontaram vários!


Isso é bem comum em filmes e séries em geral, porém a presença constante em animes fez com que recebesse o nome de "doença dos animes" pelo público. Entre os sintomas podem aparecer as olheiras profundas, a pele pálida, mas um deles é indispensável: a tosse com sangue.

De um ponto de vista narrativo esse é um tipo de tropo. Um tropo é um conceito, ideia, evento ou característica que se repete bastante em obras de ficção e por isso recebe um nome para classificá-lo. Entre os tropos que todo mundo deve conhecer temos o "triângulo amoroso", "o herói escolhido", "o mestre velho e sábio", etc.

Não existe um nome fixo para a doença dos animes (além deste, claro), quando ele é usado em outros meios normalmente recebe o nome de "tosse da morte" ou "doença incurável". Trata-se de um dispositivo de roteiro que tem várias funções como:

  • Dar o pontapé na história: a partir de uma doença os personagens podem começar uma grande aventura, como para procurar uma cura ou fazer algo antes que a morte atinja a vítima, por exemplo.
  • Criar um senso de urgência: uma pessoa que está morrendo tem uma contagem regressiva consigo o tempo todo, tornando qualquer trama ao seu redor uma corrida contra o tempo. Isso é bom para criar tramas dinâmicas.
  • Servir como recurso visual: um dos melhores jeitos de mostrar que alguém está doente sem precisar ficar anunciando isso é com recursos visuais, e a tosse com sangue faz isso perfeitamente.
  • Colocar um fim inevitável a um personagem: especialmente em animes existem personagens que são poderosos demais para serem derrotados ou vê-los perder para outro personagem iria diminuir sua notoriedade, então os autores o fazem perecer para algo "natural" e inevitável como uma doença incurável.

Ou seja, essa não é uma exclusividade dos animes por servir muito bem em qualquer tipo de história. E como o foco está na aventura que tudo isso cria, pouco importa qual a doença.

Para essa postagem vamos focar nos animes, estudar algumas exemplos e tentar adivinhar candidatos para a doença.

Antes eu queria tirar de consideração quando um personagem tosse sangue depois de sofrer algum golpe, como acontece bastante em animes mais antigos e se manteve presente até hoje (por exemplo em Cowboy BebopGintama).

Também quero tirar alguns casos que foram plenamente explicados como: em Fullmetal Alchemist Izumi Curtis tosse sangue porque danificou seus órgãos internos em uma tentativa falha de transmutação humana; e em Naruto Hinata cospe bastante sangue por ter seu sistema de chakra danificado por golpes do Neji.


Vamos para alguns exemplos mais misteriosos:

Em Dr. Stone, a personagem Ruri sofria de alguma doença que foi combatida com o remédio de Senku e por pouco não morreu, o que podemos encarar como uma reviravolta nesse tropo. Falo mais sobre esse caso no post sobre a ciência de Dr. Stone.

No Instagram apontaram Gol D. Roger de One Piece como um exemplo e ele recai no quarto tópico que listei ali em cima, que é uma forma de acabar com um personagem poderoso. Ao mesmo tempo ela funciona como pontapé para a história, afinal saber que tinha um fim próximo é que colocou Roger na icônica cena de sua execução anunciando o One Piece ao mundo e dando início a Era dos Piratas.


Me apontaram também Jushiro Ukitake de Bleach, que eu não conheço porque não fui muito longe com o mangá. Mas com uma busca rápida vi que a doença dele também não foi revelada, mas possui uma revelação interessante: ela é uma doença nos pulmões. Guardem isso pra daqui a pouco.


Curiosamente, os exemplos são bons no Big Three, então vou trazer de novo Naruto, que é onde temos dois exemplos. Descobrimos primeiro que Kimimaro possui uma doença que o faz tossir sangue e que ela está matando-o aos poucos. Se não fosse por isso Orochimaru conseguiria o seu corpo e nunca precisaria do Sasuke, então a história seria muito (muito mesmo) diferente no mangá. O mesmo acontece com Itachi, inclusive é essa morte iminente que motiva grande parte de seus planos pensados vários movimentos à frente para que ele conseguisse tudo que queria antes de ser levado pela doença. Nas tosses de Itachi ele leva uma das mãos ao pulmão, o que pode indicar uma doença pulmonar também.


Depois de pesquisar e ver algumas doenças que poderiam ser candidatas a essa doença dos animes eu selecionei três mais prováveis: câncer de pulmão, pneumonia e tuberculose. Gostaria de comentar uma por uma, só que vou avisar já: não chegarei a uma conclusão nesse post! Até porque isso seria impossível, como eu disse antes, a real doença não importa, só o que ela causa, então a explicação mais maluca (porém possível no universo da história) poderia ser usada para justificar. O divertido vai ser especular.

Essas são três doenças que afetam os pulmões e por isso podem acarretar em tosse com sangue, além de debilitar o corpo, tendo como resultado palidez, olhos profundos, etc. Vou explicar cada uma:

O câncer de pulmão acontece quando as células dos tecidos dos pulmões começam a se reproduzir descontroladamente depois de algum defeito em seu genoma. Esses defeitos podem acontecer por questões genéticas herdadas ou fatores externos, como o excesso de fumo ou respirar substâncias nocivas por anos. Essas células cancerígenas crescendo descontroladamente prejudicam o funcionamento das células normais, que é o que gera os problemas do câncer no corpo.

Existem vários sinais de que Roger, Itachi e outros poderiam ter câncer, mas essa é uma doença tão cheia de variáveis que fica difícil inferir com certeza. 

A segunda opção é pneumonia, uma infecção nos pulmões. Essa infecção pode acontecer por várias causas, basta que algum corpo estranho chegue na região do pulmão onde há a troca de ar (entra oxigênio, sai gás carbônico). E os corpos estranhos podem ser vírus, bactérias ou algo inanimado que foi aspirado e acabou parando nessa parte. Hoje em dia temos vacinas e antibióticos para combatê-la, de modo que morrem mais pessoas em situação de debilitação e risco (como quem já sofre de outra doença grave) ou com sistema imunológico frágil (como bebês), ainda assim milhões perecem todo ano de pneumonia, então imaginem como era antes dessas invenções!

E por último temos a tuberculose, que é causada por uma bactéria capaz de infectar vários órgãos, porém principalmente os pulmões. Grande parte dos infectados não demonstram sintomas, existem estimativas de que pelo menos 30% da população mundial possui tuberculose (são mais de 2 bilhões de pessoas)! Possui tratamento, só que ele é bastante demorado e exige antibióticos, o que muita gente acha pesado e por isso há uma parte das pessoas que não o faz até o final, o que pode levar a uma piora na doença e sequente morte.


Souji Okita
foi um espadachim muito habilidoso que existiu na história e foi representado em vários animes, como Shuumatsu no Valkyrie. Em Bakumatsu Kikansetsu Irohanihoheto, ele aparece como vítima de uma doença com os mesmos sintomas clássicos da doença dos animes. Acontece que sabemos qual a doença que ele sofria na vida real e que inclusive foi a causa da sua morte: tuberculose. Existe um personagem em Gintama baseado em Souji Okita, porém é a irmã dele, chamada Mitsuba, que possui tuberculose. Também é tuberculose que mata Magdalia (Mutoh Sayo) em Samurai X (Rurouni Kenshin).

Como eu disse antes, não dá para chegar a uma conclusão. Porém se eu fosse chutar diria que é mesmo a tuberculose, já que ela pode ser silenciosa, pode surgir sem necessidade de fatores genéticos (ou seja, não precisa ser herdada na família, afinal não vimos nenhum Uchiha com a doença do Itachi!), não debilita imediatamente da mesma forma que um câncer e pode levar à morte se não for bem tratada.

Por fim é importante dizer que não podemos afirmar que toda vez que esses sintomas aparecem significa que a pessoa tem alguma dessas doenças, muito menos que todos os personagens de anime apresentados tinham alguma delas, fizemos aqui apenas um exercício de análise para criar hipóteses.

Se você lembrar de mais personagens que a doença dos animes ou tem alguma explicação para ela pode deixar nos comentários que vou ler sempre!


Até a próxima postagem!

10 curiosidades sobre Roy Mustang de Fullmetal Alchemist

Por Phos em quinta-feira, 28 de julho de 2022

 Na edição desse mês da série de 10 curiosidades eu quero falar sobre meu personagem favorito de Fullmetal Alchemist: Roy Mustang!


1. Seu nome tem ligação com xadrez

Roy costuma apelidar os seus aliados com nomes de peças de xadrez com significados próprios, como Fuery ser o "Peão" por ser o mais novo, Breda é a "Torre" pela sua força física e por aí vai. O nome Roy em francês significa "Rei", outra peça de xadrez, o que faz total sentido se pensarmos que Roy se consideraria o grande líder. Inclusive, Riza Hawkeye é chamada por ele de "Rainha". 

2. E o sobrenome é baseado em um avião

Já o sobrenome Mustang vem do avião P-51 Mustang, que foi o melhor avião americano (e talvez o melhor entre todos os países) da Segunda Guerra Mundial. Isso segue uma lógica da autora em nomear os soldados de Amestris com nomes baseados em armas ou veículos militares.


3. Ele não é de Xing

A maioria dos personagens em Amestris tem características europeias, especialmente alemãs, como os cabelos loiros e olhos claros. É por isso que muita gente acha que Roy é de Xing, já que ele tem as características dos xingeses: cabelo preto, pele muito branca e os olhos que são desenhados da mesma maneira que os olhos de Ling, por exemplo. Mas não há discussão: Roy definitivamente não é de Xing, ele é nascido e criado em Amestris.

4. Acha que cachorros seriam ótimos soldados

Um dos fatos mais aleatórios sobre Roy é que ele considera cachorros os melhores soldados possíveis, pois são criaturas justas, leais e que nunca reclamam sobre serem pagos.

5. No anime de 2003, Roy matou os pais de Winry

Todo mundo sabe que a adaptação de Fullmetal Alchemist para anime em 2003 tem um monte de diferenças do mangá, uma delas é crucial para a história de Roy. Nessa versão do anime, ele foi o responsável por matar os pais de Winry, que eram médicos de Amestris. A ordem partiu de Basque Grand e o motivo dado é que os Rockbell estavam cuidando não só de soldados de Amestris, mas também os de Ishval durante a guerra entre esses dois países. Apesar de ter concluído o trabalho, matando o casal com tiros, Roy sentiu-se mal por isso e foi um dos fatores para ele querer se tornar führer (assim não teria que obedecer ordens sem sentido como aquela). No mangá e no anime de 2009, o casal Rockbell foi morto por Scar.


6. Roy usa um tapa-olho no anime de 2003

Enquanto no mangá e no Brotherhood Roy fica cego após encarar o Portão da Verdade, o destino dos olhos dele é diferente no anime de 2003. Existe um personagem único dessa versão chamado Frank Archer, um militar que vira grande antagonista, e em determinado momento ele atira no olho de Roy, deixando-o permanentemente cego. É por isso que algumas imagens que você deve ter visto por aí mostra o personagem com um tapa-olho.


Isso nos leva à próxima curiosidade:

7. Ele lembra um coronel da vida real

Esse tapa-olho, o posto de coronel e o seu plano de depor o führer King Bradley fez com que surgisse uma comparação imediata de Roy com o Coronel Claus Schenk Graf von Stauffenberg. Esse coronel alemão foi pivô em um plano para matar o führer Adolf Hitler, que terminou com uma bomba deixada em uma maleta na sala de reunião com todos dentro. A bomba explodiu, mas Hitler sobreviveu (salvo por uma grossa mesa de madeira) e Stauffenberg foi descoberto, sendo executado por traição. Essa história ficou bem famosa com o filme Operação Valquíria, que é de onde veio a imagem abaixo, já que não há fotos de Stauffenberg com o tapa-olho, somente nessa versão onde é interpretado por Tom Cruise:


8. Seu cabelo reflete sua personalidade

Uma linguagem visual bem interessante com relação ao Mustang é sobre o seu cabelo. Repare como ele reflete a personalidade de Roy naquele momento. Por exemplo, quando ele está despojado o seu cabelo é bastante bagunçado, mas no seu maior momento de tristeza (no funeral de Hughes) veja como o cabelo está bastante ajeitado e quieto.


9. Não se casou com Riza

Hiromu Arakawa, a autora do mangá, revelou em um artbook que Roy e Riza não se casaram no final por uma questão de regras militares. Aparentemente essas normas ditam que pessoas em relacionamento não podem trabalhar como superior e subordinado, então eles precisariam escolher: ou se casavam ou continuavam trabalhando juntos.


10. Não virou führer porque era muito novo

Por mais que parecesse o final mais esperado para Roy ele se tornar führer (afinal esse era o seu sonho desde o começo) isso não aconteceu. A explicação da autora foi simples: ele era muito novo ainda. Ela ainda afirmou que com certeza Roy Mustang será führer em algum momento, é só uma questão de tempo. Será que um spin off de Fullmetal Alchemist nesse futuro seria interessante?


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Até a próxima postagem!

Alquimia de Fogo do Roy Mustang - A Ciência de Fullmetal Alchemist

Por Phos em sábado, 16 de outubro de 2021

Eu já estava para fazer essa postagem há bastante tempo, porque esse tema levanta muitas dúvidas pra quem acompanhou Fullmetal Alchemist. Afinal, como funciona a alquimia de fogo do Roy Mustang? E ela faz sentido cientificamente falando?


Vou começar explicando como funciona o fogo.

Eu imagino que quase todo mundo conheça o famoso "triângulo do fogo", ele estabelece que para que haja fogo é preciso três coisas: combustível, ignição (ou calor) e oxigênio. Essa é uma versão bem simplificada, a vida real é um pouco mais complexa.

O fogo nada mais é que energia liberada durante um tipo de reação química chamada combustão. O que chamamos de "combustível" é uma parte dessa reação, outra parte se chama comburente (o oxigênio é apenas um dos tipos de comburentes) e a ignição é o que faz a reação começar. Quando colocamos fogo num pedaço de papel usando um fósforo a ignição é a chama do palito, o combustível é o papel e o comburente é o oxigênio presente no ar a nossa volta.

É possível que haja combustão sem ignição, principalmente porque existem certos elementos e substâncias que reagem com o comburente (o oxigênio em particular, porque ele é bem poderoso nesse tipo de reação) liberando muita energia, tanta que podem aquecer e pegar fogo instantaneamente. Mas não dá para ter combustão sem comburente ou sem combustível. Lembrem-se disso.

Vamos prosseguir e agora vocês vão entender porque eu fiz essa volta toda.

Primeiro, é muito bom comentar algo que o mangá também faz questão de deixar bem claro: Roy Mustang não controla fogo! Dá até pra dizer que chamar de "alquimia de fogo" é errado.

O que a alquimia do Roy faz é controlar o oxigênio do ar. E aqui fica uma lição importante: oxigênio não é inflamável! Sempre que eu vejo nos filmes alguém explodindo um tanque de oxigênio com um tiro eu me lembro disso e percebo que muita gente ainda não aprendeu essa lição. Portanto, o que Roy controla é o comburente da reação, não o combustível.

Como ele não controla nem gera fogo, é preciso algum instrumento para gerar ignição. Ele pode usar um isqueiro, mas o mais comum é o uso de suas luvas feitas de um tecido especial que gera faíscas quando ele estala os dedos.


Notaram que algo ficou faltando? Temos ignição e comburente, mas cadê o combustível? Se está pegando fogo no ar, o que é que está sendo queimado? Aqui eu acredito que há um furo na explicação do mangá. No meu entendimento, o que foi colocado lá é que Roy queima o oxigênio com a ignição das luvas, provavelmente por terem aquela impressão errada de que oxigênio é inflamável. Se eu estiver enganado aqui, me corrijam nos comentários!

Acho que ainda existe uma explicação plausível. Para isso, precisamos lembrar de outro poder que a alquimia de fogo tem. A molécula de água é composta por 2 átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio (por isso H2O), e foi estabelecido que Roy consegue separar esses dois elementos. Basicamente, ele consegue transformar água nos gases hidrogênio e oxigênio (isso nada mais é que TRANSMUTAÇÃO, o que era de se esperar de um alquimista!). E o hidrogênio sim é altamente inflamável. Na cena em que ele e Havoc estão enfrentando Luxúria, Roy usa a água em um ambiente fechado para gerar toneladas de hidrogênio e explodir todo o lugar. Ele pode fazer isso também com a água presente no ar, mas em menor quantidade, porque a composição do ar é 78% nitrogênio, 21% de oxigênio e 1% de outros gases e vapor de água. Vamos assumir que essa seja a composição atmosférica de Amestris também.

Então aqui vai minha tentativa de explicação: Roy SEMPRE separa as moléculas do vapor de água em hidrogênio e oxigênio, depois controla esses gases formando as trilhas por onde ele quer atacar, depois dá ignição com as luvas. Você pode ter pensado: se todo o ar tem oxigênio, como ele queima partes específicas? Porque para as reações acontecerem é preciso um equilíbrio, não basta só adicionar oxigênio e esperar o fogo. Por isso acredito que Roy balanceia certinho a quantidade de oxigênio suficiente para a combustão e coloca nessas trilhas, deixando uma concentração que não reage onde ele não quer que pegue fogo. 

O segredo da alquimia de Roy é esse (e não é suposição minha, é do mangá mesmo): ele controla a concentração de oxigênio onde quer que as coisas peguem fogo. Na explicação do mangá só ficou faltando o combustível mesmo, de resto tudo faz sentido. Então, quando ele faz aquilo com a Luxúria, tudo que ele precisou foi aumentar a concentração de oxigênio em torno dela para conseguir extrair ainda mais energia na queima do hidrogênio que estava ali.


No fim, o que ele está fazendo é o que foguetes fazem, pegando uma mistura de combustível e comburente e dosando quais dos dois colocar dependendo do quanto de fogo ele quer. O oxigênio não queima, mas define o quão forte é a combustão. Se ele colocar mais oxigênio, pode aumentar o poder das chamas queimando o hidrogênio. E assim por diante.

Portanto, essa minha explicação só diferencia da apresentada no mangá é adicionando que ele separa a água no ar antes de usar a ignição. E vimos que esse poder existe. E uma última observação: mesmo que Roy consiga separar a água em gases, ele só fica inútil na chuva porque suas luvas não consegue gerar faíscas, então ele fica sem a parte da ignição.


Em resumo, a explicação do mangá segue certinho a explicação científica, com exceção de um pequeno detalhe muito importante que é a falta de combustível, muito provavelmente porque a autora achou que o oxigênio faria esse papel, um equívoco muito comum. Mas conseguimos contornar esse problema usando explicações dadas dentro da própria obra e perfeitamente plausíveis para a situação. Então vou considerar isso mais um ponto para Fullmetal Alchemist!

Espero que essa explicação não tenha ficado muito confusa! Quaisquer sugestões para melhorar e para novos temas são muito bem-vindas!

Lembrando que já fiz outras postagens nessa série:


Até a próxima postagem!

A Ciência de Fullmetal Alchemist: Ingredientes do corpo humano

Por Phos em quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Uma das minhas frases favoritas de Fullmetal Alchemist é a descrição de Edward Elric sobre a composição do corpo humano

"Água, 35 litros. Carbono, 20 kg. Amônia, 4 litros. Cal, 1,5 kg. Fósforo, 800 g. Sais, 250 g. Salitre, 100 g. Enxofre, 80 g. Flúor, 1,5 g. Ferro, 5 g. Silício, 3 g. E outros quinze elementos em pequenas quantidades. Todos esses elementos fazem um corpo humano adulto. Esses ingredientes podem ser comprados em um mercado com a mesada de uma criança. Seres humanos são tão baratos".
- Edward Elric


Mas o quanto será que esse discurso é verdade?
Nessa postagem vou falar sobre a composição química do corpo humano!

A soma das massas de todos os componentes listados dá mais de 62 kg (sem contar os 15 elementos não listados, que aumentam mais esse valor), o que faz sentido se considerarmos que é para um ser humano de tamanho médio.
Na frase de Edward há alguns componentes que não são exatamente elementos e sim substâncias feitas a partir deles. Aqui vai a minha ideia: Ed estava simplesmente fazendo uma lista de compras, não comentando quais substâncias estão no corpo humano e depois dizendo que elas podem ser comprados.


Água:
A água não é um elemento e sim uma substância formada por dois elementos, hidrogênio e oxigênio. Ed deve ter incluído água na lista porque, pelo menos até onde eu acho, seria impossível para ele comprar hidrogênio e oxigênio em suas formas puras para usar como ingrediente. Então um alquimista usaria a água como fonte desses elementos. O oxigênio é o elemento mais comum no corpo humano, ocupando 65% da composição humana, enquanto o hidrogênio é o terceiro, 10% do nosso corpo é composto dele.
Edward comenta que são necessários 35 litros de água, o que, pelas minhas contas, é o necessário para uma pessoa de pouco menos de 50 quilos, mas você verá que alguns outros componentes listados tem mais oxigênio e hidrogênio, então a água não é toda a fonte desses elementos, apenas da maioria.

Carbono:
O elemento fundamental para a vida como conhecemos. O carbono é como um bloco de Lego que permite o encaixe de outras peças de vários jeitos, por isso é possível formar diversos tipos de substâncias com ele. É o segundo elemento mais comum do corpo humano e está presente em todos os compostos orgânicos do corpo, como células, proteínas, carboidratos e muito mais. Praticamente todos os elementos mais a frente nessa postagem formam as substâncias listadas quando estão ligados ao carbono.

Amônia
Assim como a água, a amônia é uma substância. Ela é uma molécula composta de dois elementos, nitrogênio e hidrogênio. O hidrogênio já vimos ali em cima, então o foco agora é no nitrogênio. Ele é uma das principais ingredientes no DNA, que é onde estão guardadas as informações que dizem a todas as peças do nosso corpo como funcionar e o que fazer. Também está presente nos aminoácidos, moléculas que, quando se juntam, formam os vários tipos de proteínas.

Cal
Ed usa uma palavra que pode descrever uma mistura de compostos de cálcio, em especial o óxido de cálcio, que conhecemos como cal. Essa seria a principal fonte de cálcio na lista de materiais, e esse é um elemento essencial já que ele forma o esqueleto, os dentes e em pequenas quantidades em outras funções, como proteínas.

Fósforo: 
Tem várias aplicações em partes fundamentais do nosso corpo. Para começar, ele está presente no DNA, junto com o nitrogênio. Também está presente na composição das moléculas de ATP, as responsáveis por armazenar energia no nosso corpo. Faz parte das membranas que protegem as células e está nos compostos que formam nossos ossos e dentes. E essas são só as principais funções.

Sal
Acho que, nesse caso, o sal a qual ele se refere é o "sal de cozinha", o cloreto de sódio. Isso porque existe uma classe de substâncias que chamamos de "sal", apesar desse nome ser mais usado no cotidiano para se referir ao que usamos na cozinha. O cloreto de sódio é um sal formado pelos elementos cloro e sódio. O cloro não é tão essencial para o corpo, mas o sódio sim. Ele ajuda em várias funções no sangue, regulando pressão arterial, controlando o volume, o equilíbrio da troca de materiais e também no pH. Também está presente na bomba de sódio-potássio, que vou explicar no tópico seguinte.

Salitre
O termo original em inglês é "niter", que normalmente significa "salitre". Acontece que por muitos anos salitre era o nome dado a muitos nitratos, um tipo de sal formado principalmente por nitrogênio e oxigênio, mais algum outro elemento, como potássio ou sódio. Os nitratos, por si só, são mais usados na agricultura e, em excesso, podem até causar maus ao ser humano.
Se seguirmos a minha ideia de que ele só estava fazendo uma lista de compras, o salitre seria utilizado como uma fonte de potássio ou sódio. Esses dois elementos são importantes para uma coisa chamada bomba de sódio-potássio, que é um processo do corpo humano para movimentar outros elementos para as células.

Enxofre: 
Está presente nas pequenas moléculas de vitaminas e aminoácidos. É um elemento essencial para criar uma ponte ligando aminoácidos, para que assim eles formem as proteínas do nosso corpo. Uma dessas ligações mais curiosas é a ligação dissulfeto, onde o enxofre liga aminoácidos para formar, entre outras, a insulina (que ajuda a reduzir a quantidade de açúcar no nosso sangue). Essas ligações também estão no nosso cabelo e, quanto mais delas houver, mais crespo são os fios.

Flúor
Não existe um consenso se o flúor é essencial ou não ao corpo humano. A Organização Mundial da Saúde deixa em aberto, com um "talvez". Acontece que ele está presente em algumas estruturas do corpo, mas os pesquisadores ainda não sabem se ele seria essencial ali. Por exemplo, o flúor ajuda a deixar estruturas de cálcio mais resistentes, como dentes e ossos

Ferro: 
O ferro tem um papel muito importante no nosso corpo. Ele faz parte da hemoglobina, a proteína responsável por carregar o oxigênio pelo nosso sangue. A hemoglobina busca o oxigênio que respiramos e o carrega por todas as nossas artérias, distribuindo-o para as células. Se você já se machucou e tentou chupar o sangue, deve ter sentido um "gosto de ferrugem", é justamente por causa do ferro.

Silício
A importância do silício no corpo humano ainda é tema de pesquisa. Acredita-se que ele sirva para deixar algumas estruturas, como ossos, dentes, unhas e cabelos, mais resistentes.

Outros elementos:
Ed diz que há pelo menos outros 15 elementos no corpo humano. Tirando os já listados, podemos contabilizar até mais que isso, porém muitos deles não são essenciais ao corpo humano.
Alguns essenciais são: cobre (presente em algumas proteínas), lítio (presente em hormônios e vitaminas), manganês (presente em algumas enzimas) e o cobalto (presente, por exemplo, na vitamina B12).
E alguns exemplos de elementos que podem estar no nosso corpo, mas que não são essenciais: ouro, níquel e titânio, entre outros.

Podemos concluir que os elementos que Ed lista fornecem a matéria-prima para um ser humano, até aqui a ciência concorda. O resto fica com a parte fictícia.

Mas e quanto às quantidades? Preparei uma tabela no Excel para checar isso. 

Como a lista de compras tem unidades diferentes, algumas coisas estão em gramas e outras em litros, resolvi converter tudo para a unidade padrão de massa (ou seja, quilogramas). Converter a água é fácil, já que 1 litro de água pesa exatamente 1 kg. Já para a amônia é preciso usar sua densidade. Ela tem uma densidade de 0,73 kg/m³, ou seja, 1 litro de amônia pesa 0,73 kg. Com uma regra de três simples vemos que os 4 litros da lista são convertidos em 2,92 kg de amônia.

A soma de todos os compostos listados dá perto de 62 kg, então vou supor que essa será a massa da pessoa que será criada. Fui na Wikipédia [fonte] e procurei quais as frações de massa que cada elemento ocupa, lá você pode ver as fontes para os valores. Com isso construí uma segunda tabela pegando os 62 kg da pessoa e distribuindo essa levando em conta quanto cada elemento contribui.
Depois peguei os compostos da lista de compras e desmembrei nos elementos químicos que eles fornecem para saber quanto de cada temos.
Por exemplo: aquela quantidade de água nos fornece 3,85 kg de hidrogênio. Depois a amônia fornece mais 0,49 kg. Então temos pelo menos 4,34 kg de hidrogênio na mistura toda. Coloquei a quantidade total de cada elemento também na tabela.


Agora vamos analisar essa tabela. 
Como já disse, a coluna de fração de massa mostra quantos por cento cada elemento compõe na massa total do corpo. 0,65, por exemplo, significa 65% do total. Veja que no total dessa coluna ainda falta 0.007383 para atingirmos 1 (ou seja, 100%). Esse valor minúsculo é a quantidade de elementos que aparecem bem pouquinho, que vou considerar que estão nos "15 elementos a mais" da lista.
A coluna seguinte mostra a quantidade de massa que conseguimos obter com os materiais da lista do Ed. Novamente temos a falta de uma pequena quantidade para atingirmos os 62 kg que temos como objetivo, o que se deve aos elementos que faltam também.
A outra coluna é o quanto deveria ter de cada elemento para uma pessoa de 62 kg. Fiz essa conta tirando a porcentagem de cada elemento do valor total. Se o corpo é 10% de hidrogênio, então uma pessoa de 62 kg tem 6,2 kg só de hidrogênio em si. Esses serão os valores de comparação.
Por fim, temos a diferença. Aqui eu subtraí o quanto temos do quanto deveria ter. Se o número der positivo significa que o quanto deveria ter é maior, ou seja, faltou um pouco daquele elemento. Se for negativo, significa que sobrou material.

Como você pode ver apenas quatro elementos ficaram em falta: hidrogênio, oxigênio, enxofre e potássio. De oxigênio, inclusive, ficou faltando bastante: 8 kg! Eu até pensei que ele poderia obter esse oxigênio e hidrogênio que faltam lá dos outros elementos, afinal muita coisa não viria em forma pura e sim misturada. Muitos minerais, por exemplo, são encontrados misturados com oxigênio na natureza, como a tenorita, que é óxido de cobre. Mas isso talvez balance um pouco a massa total que queremos, o que modificaria os outros valores e pode bagunçar essas exatidões que tivemos até agora.
Quanto ao que sobrou eu não acho ruim, afinal é até uma garantia de que vai ter o necessário. E é uma reserva caso um pouco se perca no procedimento.

Tendo isso em conta eu diria que o saldo é positivo! Ed estava muito bem de acordo com a ciência!

Mais um ponto para a fidelidade de Fullmetal Alchemist!

Até a próxima postagem!

A Ciência de Fullmetal Alchemist: Troca Equivalente

Por Phos em segunda-feira, 9 de julho de 2018
Nessa postagem de série A Ciência de Fullmetal Alchemist irei escrever sobre o princípio que rege a alquimia, a Lei da Troca Equivalente.

No mundo de FMA, a troca equivalente dita o funcionamento da alquimia convencional. Quando alguém vai fazer alquimia ela não pode simplesmente fazer as coisas surgirem do nada, ela precisa transmutar, transformar, uma coisa em outra. Por exemplo, se você quer uma bolinha de gude você não pode fazer ela surgir do nada na sua mão, precisa pegar algum material e depois transformá-lo na bolinha.
Isso explica parte da lei, afinal ela não é apenas "troca", mas "equivalente". Isso porque o material que vai ser criado precisa ter o mesmo "custo" do que foi utilizado como base. Então, se a bolinha de gude pesa 200 gramas, você precisa oferecer como material 200 gramas de vidro.

Como a alquimia não é uma ciência, suas leis estão sujeitas a interpretações. Algumas pessoas levam a troca equivalente numa perspectiva mais filosófica, alegando que até na vida é preciso sacrificar algumas coisas para obter outras. O próprio Edward presenciou um tipo de troca ao barganhar a alma do irmão por seus membros quando tentaram ressuscitar a mãe.

Mas enfim, o que há de ciência nisso?
Surpreendentemente, essa é uma das coisas "mais científicas" que Fullmetal Alchemist tem. A troca equivalente existe no mundo real, só que não para transmutações, e sim para transformações químicas ou físicas. Ela é um pouco mais desenvolvida e recebe o nome comum de Lei da conservação de massa.

Em qualquer reação química feita em um sistema isolado a massa antes e depois da transformação sempre será igual. Imagine que temos uma bola de vidro e dentro dela há 1 litro de água. Se aquecermos o sistema a água vai evaporar. Quando evaporar completamente, teremos exatamente 1 litro de vapor. Como seria possível obter 2 litros de vapor, ou meio litro, sendo que só havia um litro de água para ser transformado. Entenderam como não há como violar esse princípio? Mas reparem que eu disse que o sistema é isolado, ou seja, ninguém foi lá no meio da transformação e adicionou ou tirou água.

Ah, e vale lembrar que o que vai ser criado vai ser dos mesmos elementos que o objeto usado como base. Não é possível algo de ferro virar ouro. A menos que fôssemos para a escala atômica, afinal tudo é feito de prótons, nêutrons e elétrons, então bastaria você desmontar os átomos do ferro, pegar todas essas partículas que formavam eles e depois remontá-los na forma de átomos de ouro. Porém, repare que o que você está fazendo é pegar as partículas e depois dar outra forma a elas, você não está criando ou destruindo, apenas mudando o formato.

Ed não cria uma lança do nada, ele transforma parte do chão em uma. Veja como ficou faltando matéria no solo.

Sabemos que a escala atômica é tão pequena que não podemos ver, muito menos pegar, então isso é só um exemplo. Só que hoje em dia os cientistas já conseguem mexer nos átomos e nas partículas usando ferramentas bem precisas, ou seja, já é possível transformar chumbo em ouro. Mas porque isso não é feito aos montes para deixá-los milionários? Porque a quantidade de energia elétrica, o preço das máquinas e o custo para transformar o elemento não compensa. Vamos supor que você gastaria uns 200 mil reais para transformar mil reais em ouro, é mais ou menos isso. Não compensa. Mesmo que barras de ouro valham mais do que dinheiro, como diria o Silvio Santos.

Voltando pra alquimia de FMA, um exemplo nela seria a transmutação humana. Quando Edward quis ressuscitar sua mãe ele precisou reunir uma lista enorme de elementos químicos, cada um na quantidade certinha que tem em um ser humano, para misturar aquilo tudo com alquimia e formar uma pessoa. O que a alquimia faria é transformar todos os elementos, dando um formato. Só que essa deu um tanto errado... e vou falar sobre isso mais profundamente em outra postagem.

Em resumo, as coisas (ou, mais formalmente, a matéria) não podem ser criadas ou destruídas, elas apenas se transformam em outra coisa.

  • E a Pedra Filosofal, como ela poderia burlar a Lei da troca equivalente?

Para quem não se lembra, a pedra filosofal permite aos alquimistas transmutarem coisas do nada, sem obedecer a lei da troca equivalente. Será que existe um jeito disso acontecer? Se aprofundarmos muito as coisas, dá sim.

Acontece que a lei da conservação de massa não é completa, ela é parte de algo maior. Quando estudamos fenômenos do nosso dia a dia, ela é bem aplicável e não há nada de errado, só que em alguns fenômenos em escalar MUITO (sério, muito mesmo) maiores ou menores as coisas ficam mais complicadas. De forma geral, a conservação de massa é parte da Lei da conservação de energia. Esta sim é universal, funciona em qualquer problema. Então por que não a usamos sempre? Porque ela é complexa demais para ser usada em problemas cotidianos, onde a conservação de massa ajuda sem problema algum.

Toda a matéria (ou seja, coisas palpáveis que interagimos, como madeira, pedra, água, o ar) é composta de átomos, e esses átomos tem sua equivalência em energia. Isso é mostrado pela equação mais famosa do mundo proposta por Albert Einstein: E=mc². Como podemos ver nela, energia (E) é igual (=) à massa (m), o que muda é apenas uma quantidade (c), que é a velocidade da luz.

Se você pegar duas partículas específicas, como um elétron e um pósitron, e jogar uma na outra elas se aniquilam e se transformam em fótons (ou seja, energia). Isso mesmo, duas partículas podem virar energia. Mas, obviamente, isso só acontece nessa escala minúscula, não vemos pedras virarem energia no nosso dia a dia.

Então o que a pedra filosofal pode fazer é transformar energia em matéria, já que o processo contrário também é possível. E de onde viria essa energia? Estamos cercados por ela! Luz, calor, radiação, existe energia por todo lado. Então o portador da pedra pode estar roubando calor do ar a sua volta, deixando ele mais frio. A Terra emite um pouquinho de calor também, basta roubar dela. Ou pegar um pouco da luz e transmutar.

PORÉM, é preciso muita energia para criar partículas. Então para fazer uma bolinha de gude você precisaria praticamente roubar toda a luz, a radiação e esfriar todo o ar a sua volta. A menos que a pedra gere energia... mas aí é assunto pra outra postagem.

E aí, gostaram? Querem mais postagens nesse estilo? Sugiram temas, pode ser que Fullmetal ou de outros animes!

Até a próxima postagem!